Regressão (Regression), de 2015, dirigido por Alejandro Amenábar

Diretor e roteirista de duas obras-primas da cinematografia do século XXI (Os Outros Mar Adentro), Alejandro Amenábar é um cineasta deveras versátil, conseguindo caminhar com determinação e segurança por entre diversos gêneros (como os supracitados: respectivamente, terror e drama-dilacera-alma). Ter, em sua filmografia, títulos como estes, faz com que esperemos sempre algo poderoso de suas novas produções. A mais recente, Regressão, busca em fatos reais inspiração para uma história que envolve suspense com tempero de terror.

Bruce Kenner (Ethan Hawke) é um detetive que investiga um caso de estupro incestuoso, assumido pelo próprio pai, John (David Dencik), enquanto a filha Angela (Emma Watson) descreve, em seu diário, a violência promovida pelo seu genitor. “Uma parte de mim me diz que fui eu; outra parte diz que não”, expõe, confuso, o consumido John. Através de regressão, Bruce e Kenneth (David Thewlis) tentam encontrar a verdadeira versão acerca do assunto. É quando elementos satânicos começam a saltar e os investigadores pensam estar de frente para uma seita que promove sacrifícios naquela pacata cidade americana. É quando, também, relações pessoais se aprofundam em ambiguidade e conflitos.

Emma Watson sempre bem em todo e qualquer papel. Fala-se tudo em um mero olhar!

O constante clima de tensão e a busca pela “verdade” fazem do filme um thriller que enjaula o espectador naquele mistério brutal e blasfemo. Tudo se torna ainda mais interessante quando nos damos conta de que a prática da regressão não é uma ciência, não é infalível, colocando-nos, portanto, frente a frente com versões de um mesmo acontecimento. Não é porque está dentro de nossas mentes, que aquilo realmente aconteceu. Apesar de não ser do tamanho de Amenábar, Regressão é um filme maduro e coerente, que realiza com louvor a sua proposta.

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