Larissa, que diabo é isso? Por que você colocou duas notas pra uma série? Vamos lá. Primeiro de tudo, gostaria que você desse play no trailer abaixo.

Foda, né? Sem muito preciosismo na escolha de palavras, na lata. Um velho oeste onde mulher atira, manda na cidade, usa calças e é viúva. Essa série SÓ PODE SER BOA e vai ter aquela pegada feminazi que me enche a boca…

Mas não. O trailer, sim, merece um belíssimo 4,5/5,0. E assim seria se a série seguisse o que me fez os olhos brilharem. No entanto, a produção se mostra uma farsa. Como diria minha avó, cai no conto do vigário. É cilada, Bino. E por aí vai. Muito que bem, Netflix, colocar mulheres com aparente protagonismo de peso e poder de decisão na trama… quando na realidade elas aparecem bem pouco nos primeiros episódios e a narrativa não passa de mais uma história de faroeste clichê onde, é claro, homens querem matar outros homens para validar suas masculinidades caboclas.

Aí os babaca.

A minha crítica poderia parar por aqui, poupando você leitor de 1 – ler minhaa ladainha reclamona, puta com a frustração de assistir 7 horas pra isso ou de 2 – simplesmente economizar palavras já que eu contei acima basicamente o que acontece na série inteira. Sem dar uma gota de spoiler, eu garanto. Tudo começa com um mocinho que é uma delícia, Roy (Jack O’Connell), e que, tadinho, é perseguido pelo velhote acima, Frank (Jeff Daniels). E eu JURO que aí acabou a história. O que me obriga a voltar pras minhas reclamações…

Acho válido tentar fazer a transcrição do que tenho em mente que foi a roda de conversa na Netflix pra criação dessa série. (E dispenso dizer que ela foi dirigida e escrita por um homem, certo? Scott Frank. Seu danadinho.)

Scott Frank: Fala, seus pés de chulé. Eu gostaria de criar uma série de faroeste. Aquela coisa… tiro pra caralho, poeira de deixar qualquer mãe de cabelo em pé, puta e muito sangue. Nada que exija muito sentido pra ser, bem ao natural da época.

Qualquer zé-bunda: Poxa, Mr. Frank, mas isso já está batido, não? Você não acha que vai flopar? O público espera mais de séries desse tipo. Veja aí Westworld, que putaria bem elaborada. E da nossa concorrente ainda, aquela maldita HBO. Acho melhor incrementar essa ideia.

E assim fez Scott Frank. Ele disse: “Ora, vamos inserir uma isca no trailer. Vamos glamourizar e empoderar mulheres em seus vestidos ou calças de cowgirl, mostrando-as enchendo de bala qualquer coisa que faça um pio e temperar com alguns homens aqui e ali. Esses sim farão o trabalho todo. Mas… shhhhh! Deixe que eles descubram meu plano lá pelo terceiro episódio. Muahahahaha…”

Martha (Christiane Seidel) é um mulherão da porra que aparece direito só no último episódio. Minha crush negligenciada e posta como reles na série toda.

Cof, cof… voltando a trama. No emaranhado padrão que o pique esconde de fuga do menino Roy mostra ser, ele por acaso acaba em La Belle, a tal da cidade “onde só há mulheres”. E que já de cara vemos que tem 4 homens. Ok, tolerável, provavelmente terá uma história que justificará tanto a quantidade feminina quanto presença masculina. E a explicação é pura e simplesmente um acidente na mina do lugar que matou todos os maridos das donzelas. Cuspiu isso aí e e só. Nenhum mistério é construído em volta disso. Bem claro na verdade. Méh.

Roy fica de bichinho de estimação da mulher que vive afastada de La Belle, Alice (Michelle Dockery), a perfeita mistura entre Lavínia Vlaslak e o Puro Osso de As Terríveis Aventuras de Billie & Mandy. Eu precisei desabafar e partilhar essa referência, desculpem. E aí fica naquele clichezaço de: vai comer ou não vai comer? Shippamos ou não shippamos?

Shippar ou não shippar, eis a questão…

De personagem maneiro na série temos poucos. Os principais não me conquistaram empatia alguma. Pra ser sincera, a única coisa que achei bem maneira da série é um casal de lésbicas que é fofinho. E estamos falando de uma série de faroeste… então isso não é, nem de longe, um elogio. As cenas de combate são tediosas, tendo feito meu celular de grande uso e minha bexiga mostrar uma capacidade de armazenamento reduzida, não sei por que. De qualquer forma, o que quero dizer é que eu, que não sou uma pessoa de se dispersar quando se trata de audiovisual, fiquei checando minhas mensagens e agitada. Um misto de frustração, raiva e falta de saco.

Por fim, quero dizer que Godless tinha potencial – e, talvez aos que adoram qualquer produção que retrate tal época, seja uma ótima série. No entanto, para mim, que viu o trailer e esperava algo condizente com o mostrado, foi uma tremenda decepção. Certinho no técnico, redondinho e pobre na história, previsível e calunioso de início. Se você leu esse texto e está frustrado por que eu não falei muito sobre a série, ótimo. Afinal, isso quer dizer que fui bem sucedida em passar para as palavras o que os vagos 400 minutos ou pouco mais esfregaram nos meus olhos até ele arder: ar e poeira.

O xerife de La Belle, um verdadeiro bundão que vai atrás de um grupo de 30 homens para matá-los sozinho. Opa, falei.

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