“Uma jornada de solidão, perdida no infinito do espaço, em busca de sobrevivência. Com estes elementos, o mexicano Alfonso Cuarón realiza uma obra-prima do Cinema. Ryan (Sandra Bullock, em atuação primorosa), após desastre espacial, é obrigada a, sozinha, vencer todos os seus limites para conseguir sobreviver ao sem-número de obstáculos que surgem em seu caminho. Em busca de algo que não pode ver ou tocar, mas apenas acreditar, a personagem, a todo instante, tenta se apegar a alguma coisa para se manter focada em seus desafios que parecem cada vez maiores.
O ambiente hostil contra o qual Ryan luta é sentido pelo espectador que, durante toda a exibição, permanece sem fôlego, como se estivesse em seu lugar. E, de fato, a história é comum a todos. Trata-se, a meu ver, sobre uma busca individual por Deus (aqui representado pelo infinito, desconhecido e misterioso Espaço), durante os conflitos diários (colocados através das situações de risco pelas quais a personagem passa) e que conclui com seu renascimento, uma ilustração da vitória conquistada, uma tentativa de recomeço, como se os problemas passados fizessem parte de outra vida e que não mais estarão presentes para assolá-lo (quando ao chegar na Terra, ela emerge da água, de onde, pela teoria evolucionista, todos os seres surgiram; e, aos poucos, se levantando, completa sua corrida solitária, agora mais forte – como sugere Nietzsche em uma de suas colocações mais conhecidas).

Dos locais mais sombrios da natureza, Cuarón nos coloca frente a frente com as nossas buscas individuais e cotidianas. Uma bela e sensível metáfora para a vida e a busca por Deus”.

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