M, o Vampiro de Dusseldorf

Direção: Fritz Lang
Roteiro: Fritz Lang & Thea von Harbou
Produção: Seymour Nebenzal

A convulsão social definitiva de Fritz Lang, apesar do título, não se esconde em subterfúgios mitológicos ou fantásticos. O começo da consumação da ebulição, é um conto negro, sobre um assassino de crianças, controlado por um instinto de matar. Vampiro, mas sem presas afiadas, muito menos vulnerável a luz.  Monstruosidade humana.

Se Murnau mascara a dualidade do homem x besta em seu macabro Nosferatu, Fritz Lang não tem medo de expor, sob sua câmera cada vez mais madura, que essa contradição não se restringe a Transilvânia e sim paira sobre Dusseldorf e todas as cidades do mundo.

Com um clima entre o terror e o noir, M expõe as fissuras da sociedade, utilizando o som (então recém implementado no Cinema), como poucas vezes foi visto. Os ruídos quando o macabro homem se aproxima são ocos e se repetem com cada vez mais força e pungência.

Porém, a obra não é sobre esse psicopata de sangue frio, e sim sobre como a sociedade o encara. A partir do medo, da fobia de perder os infantes, o ódio rola solto e o senso de justiça se deturpa. Inspetores, doutores e a polícia não conseguem conter o ímpeto de caça às bruxas e até mesmo os piores bárbaros e bandidos se juntam a busca desse monstro tão semelhante a eles mesmos.

Por um bode expiatório, pelo medo, a mão se finca no mapa. A super-vigilância paira sobre Dusseldorf e a população é sonâmbula do ódio, dormente pelo desejo de capturar o demônio fonte de seus males. Infelizmente não era, nem nunca foi ou será tão simples. O assassino de criancinhas era fruto das rachaduras presentes em toda sociedade, até mesmo nos homens e mulheres de boa índole. Mesmo assim se afundam no abismo, colocam seus tremores e ambições nessa guerra santa. Mal sabiam que lutavam contra si mesmos.

Nessa convulsão, incapacidade de se auto-civilizar, Fritz Lang em um dos seus mais marcantes filmes, marca o início do fim para o expressionismo alemão e para aquela Alemanha.

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