Thea Von Harbou

De família aristocrática prussiana, a escritora é sem dúvida a biografia mais melancólica de todas as expressas aqui. Em 1905 assinou seu primeiro romance, na luz dos 17 anos. Logo depois partiu para a carreira de atriz, passando por Weimar, Chemnitz e Aachen, onde se casou pela primeira vez.

Em 1920 escreveu seu primeiro roteiro Mistérios da Índia, junto à Fritz Lang com quem viria se casar e iniciar uma das mais prodigiosas colaborações da história da arte, foi com Lang que escreveu Metrópolis e M, o Vampiro de Dusseldorf. Thea complementava Fritz em todos os pontos e nuances, conseguindo dar asas angelicais para a imaginação aventuresca e distópica do austríaco.

As colaborações entre os dois chamaram a atenção da Alemanha e do mundo, e até mesmo de Adolf Hitler, fã confesso de Lang, e que tentou de todas as maneiras atrair o casal para sua ideologia perversa. Thea acabou por se deixar seduzir, o que causou sua ruptura com Fritz. A última colaboração entre os dois foi O Testamento do Dr. Mabuse, obra considerada ilegal e amoral pelo regime que viria a construir o Terceiro Reich.

Thea assinou o roteiro de “Der Herrscher”, obra que celebrava a obediência incondicional às autoridades. Von Harbou é um dos mais tristes exemplos de talento escravizado em prol de interesses políticos, panfletários e consequentemente antiartísticos. Após a guerra foi obrigada a recolher entulhos causados por bombas alemães. Detida pelos britânicos, até conseguiu licença para trabalhar fazendo alguns roteiros e sincronizações de películas. Faleceu em Berlin em 1954, na fina amargura dos 66 anos.

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