F.W Murnau

É possível dividir grande parte da humanidade e os bípedes ingratos que a formam entre românticos ou clássicos. Os primeiros prezam pelas brasas do sentimento, enquanto os outros se deliciam com as virtudes da razão. No cinema e nas artes, a dicotomia entre romântico e clássico fica extremamente evidente. Truffaut X Godard; Tarkovsky X Béla Tarr; Fellini X Antonioni; são apenas alguns exemplos. O expressionismo alemão teve sua dialética entre Fritz Lang e Murnau.

Nascido como Friedrich Wilhelm Plumpe, adotou Murnau de uma pequena cidade na Baviera. Abertamente homossexual, F.W foi a flama do movimento e conduziu tanto o cinema alemão como o norte americano para outro patamar. Desde cedo já era prodígio, aos 12 anos era fissurado por Nietzsche, Schopenhauer e Shakespeare. Inflamado pelo teatro, estudou Filologia, História da Arte e Literatura. Sua maior paixão era Goethe. Amigo profundo de Franz Marc (grande pintor expressionista) e Elsa Lasker-Schüler (poetisa também alinhada com o expressionismo) via na escola expressionista uma porta para a salvação de todos os sentimentos que pulsavam e se dilaceravam em si. Sempre muito afinado com o romantismo, todos os seus traços e virtudes pairam sobre Nosferatu.

Mesmo assim, alcançou sucesso e status de mestre apenas com A Última Gargalhada, obra de sucesso e primor técnico inestimáveis. Em 1926, parte para os EUA, onde se torna figura chave em Hollywood por A Aurora (Sunrise), sua película mais cultuada que inclusive lhe rendeu o primeiro Oscar de melhor diretor de toda a história. O clamor e adoração por seu primeiro trabalho nos EUA é tanta que a obra sempre figura entre as 10 melhores da história em eleições da Sight & Sound e na Cahiers du Cinema.

Todavia nem tudo foram flores para Murnau no novo mundo. Era conhecido por um temperamento forte e brigava constantemente com os estúdios e produtores ianques, o que inclusive levou seu rompimento com a Fox. Ainda dirigiu Tabu, obra de sagrado primor técnico filmada na Oceania e última da prodigiosa carreira do alemão.

Morreu por um acidente automobilístico, em Santa Barbara, Califórnia. Seu carro estava sendo dirigido por um jovem filipino de 14 anos amante de Murnau. Apenas um pequeno grupo de pessoas presenciou seu enterro em 1931, entre elas Greta Garbo, Emil Jannings e Fritz Lang. Faleceu aos 43 anos e não viveu para ver sua Alemanha ser consumida pelas chamas do ódio e da dor.

Sugestões para você: