Fritz Lang

Gênio, mago, mestre, pioneiro, primoroso na técnica, Lang é a síntese do progresso artístico alavancado pelas borbulhas e faíscas do expressionismo alemão. Conhecido por seu monóculo, jeito excêntrico, por sua longevidade e reconhecimento é sem dúvida o cineasta mais importante do período e um dos mais célebres da história.

Friedrich Anton Christian Lang, era austríaco e filho de um engenheiro civil que ansiava um sucessor na carreira, Lang deixou o pai no vácuo e se mudou para Munique aos 21 anos para estudar pintura e escultura. Seu refinamento estético seria marca de todas as suas obras. Viajou muito para os mais exóticos lugares, como o Norte da África, China e Japão, tomou gosto pelo exotismo e por diferentes culturas o que veio a refletir no tom aventuresco de alguma de suas películas.

Lutou na Primeira Guerra Mundial, onde perdeu um olho e ficou gravemente ferido. Internado, tomou refúgio na escrita de roteiros marcados todos por um forte apelo sobrenatural e demoníaco. A efervescência de Berlin abriu as portas para o jovem Fritz, que chafurdou na tela assombrada, apaixonado pelas ferramentas imersivas do cinema, alcançou o sucesso com Os Espiões. Casou-se com Thea, iniciando seu momento mais proeminente, com as obras primas Metrópolis e M, O Vampiro de Dusseldorf. Aplaudido por seu pioneirismo técnico e sua câmera sóbria, Lang foi obrigado a abandonar a Alemanha porque as garras nazistas ansiavam por se utilizar de seu talento.

Quicando em Paris, partiu para o novo mundo, desencadeando a parte mais turva de sua carreira. Acusado de se deixar levar pelos grilhões dos produtores, Fritz sentia falta de sua Alemanha e de sua antiga colaboradora. Foi um dos primeiros cineastas a trabalhar com Marilyn Monroe e hoje a crítica se arrepende, admitindo a evidente qualidade de seus filmes Hollywoodianos.

Voltou à Alemanha e encerrou a carreira com o fim de Doutor Mabuse em Os Mil Olhos de Doutor Mabuse. Ainda atuou para Godard em O Desprezo, como forma do francês reverenciar um dos maiores mestres da sétima arte. Morreu em Los Angeles aos 86 anos. Influenciou diversos artistas como Orson Welles, Buñuel, Glauber Rocha e Hitchcock.

Se Murnau era o coração do expressionismo, fazendo o sangue e o sentimento pulsarem por sua câmera intempestiva, Lang sempre foi o cérebro, repleto de técnica e inovação. Metrópolis é sem dúvida a obra mais falada e famosa do tempo e em cada blockbuster ou filme de arte um pouco do pioneirismo do alemão está implícito.

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