– Os Imperdoáveis:

Caixa de Pandora

Direção: Georg Wilhelm Pabst
Roteiro: Georg Wilhelm Pabst, Ladislaus Vajda, Joseph Fliesner
Produção:  Seymour Nebenzal

Enquanto Murnau e Fritz Lang se dedicavam a jogar dados com a câmera, estruturando um dos conflitos dialéticos mais importantes da história do cinema, o Expressionismo Alemão se aventurava para além de distopias políticas e criaturas mágicas.

Prova cabal disso é o trabalho de Georg Wilhelm Pabst. Enquanto seus contemporâneos se debruçavam sobre as dores e agonias do mundo, a lente do austríaco se recusava a qualquer julgamento e implacavelmente retratava a República de Weimar em seus quadros e reflexos mais lúdicos e melancólicos. Com Caixa de Pandora, Pabst chega ao ápice de sua estética, esmiuçando a luxúria e o prazer da burguesia alemã, já com as garras fincadas numa espiral de festas e excessos. O diretor rabisca como ninguém os violinistas diante do abismo.

A narrativa de Lulu, dançarina e prostituta de luxo é hoje em dia um conto amoral e politicamente incorreto, a maneira como a mulher é tratada, origem dos males do mundo e epicentro único da corrosão dos personagens masculinos é de dar asco. Todavia, é impossível não incluir a película nesse guia, porque Pabst é de uma sutileza capaz de rivalizar apenas com a impecável e magistral atuação de Louise Brooks. Se Falconneti carrega a Paixão de Joanna D’arc de Dreyer nos ombros, a atriz ianque faz o mesmo por essa obra, tornando os 131 minutos de preto e branco mudo, um deleite de ambiguidade, sensualidade e profunda dor. Tudo isso é regido por uma atmosfera mitológica esculpida pelo diretor, capaz de dar vento ao desespero e desejos de Lulu.

Na conciliação entre um primoroso diretor e uma impecável atriz, A Caixa de Pandora se converte numa desconcertante obra sobre amoralidade, feminilidade, sensualidade e o desespero do homem em destruir o objeto de seu desejo antes que se veja destruído pelo mesmo. Numa sexualidade incendiária, movimentos de câmera revolucionários e um pessimismo absurdo, A Caixa de Pandora deixou o nome de Pabst e Louise Brooks fincados na constelação expressionista.

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