A Morte Cansada

Direção: Fritz Lang
Roteiro: Thea von Harbou
Produção: Erich Pommer

Fritz Lang é o cineasta dos épicos, distopias e tragédias, mas em sua tão hermética cinematografia temos um ar aventuresco, que inspirou diretamente Hollywood em obras como Indiana Jones e Star Wars.

Em A Morte Cansada essa faceta fica ainda mais nítida, com roteiro de sua já citada parceira Thea Von Harbou. A obra trata de amor, barganha, aceitação e acima de tudo a distância/proximidade do mundano e do metafísico. Para isso desliza sua câmera por três períodos diferentes e exóticos da história: califado, carnaval veneziano e China imperial. Tudo isso para que uma mulher salve seu marido das garras da morte.

Em sua protagonista, Lang deixa contornos de ubermensch capaz de desafiar as forças do tempo e espaço para realizar seus prazeres mundanos, distantes de fé. Os arquétipos de Thea/Fritz acreditam cada vez mais em si mesmos e cada vez menos em ficções salvadoras universais.

Sem dar nomes aos seus personagens, a película retrata nas velas da vida o sentimento atemporal de luta contra o plano maior. Lang atira seus personagens para uma batalha contra o sobrenatural e enche-os de vontade de poder. Enquanto isso torna o natural, a figura da morte, em um ser decadente, ansiando por substituição. É nesse jogo de gato e rato, construído pelas provas para salvar seu amado em três diferentes épocas e tempos, que o roteiro encontra espaço para aplaudir o sentimento do ser humano, como força de mudança, capaz de derrubar as velhas leis biológicas e construir suas próprias.

A Morte Cansada está longe de ser um aquário de filosofia Nietzschiana, apesar de repleto de fumaça e luzes de sabedoria milenar, se constrói uma obra divertida e com ares episódicos, com uma estrutura de três capítulos, repetida à exaustão até hoje. A iluminação é bonita, fotografia primorosa e, diferente de obras contemporâneas, o preto-branco mudo não traz fadiga e sim diversão.

Em um dos seus filmes mais sobrenaturais, Fritz Lang encontra espaço para falar da força feminina, humana e a decadência do natural. A Morte Cansada simboliza muito bem a recusa do Expressionismo pelos caminhos do naturalismo e do realismo, em virtude dos sentimentos e mundo interior do ser.

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