“He asked me if I wanted to, I said yes and so he took his skin off for me.”

As palavras saem da boca da mulher, num tom sereno e banal, mesmo que expressem um acontecimento que remete à brutalidade e dor que seria alguém que amamos tirar a própria pele. Bum, começa o curta.

A metáfora representada pela pele é, de maneira até um pouco óbvia, a “casca” que todos nós seres humanos construímos e mantemos no início de um relacionamento – seja ele um namoro, amizade ou o começo de algo entre os dois. Não à toa, “tudo são flores” costumam dizer quando um casal está junto há pouco tempo; os defeitos e problemas conjugais vêm com o tempo. O curta mostra, além disso, que não é fácil assumir seu verdadeiro eu para todos em sua volta. A mulher o envolve com seu amor e acolhe, aceita-o; isso é mostrado através do chão sujo de sangue e de uma nova rotina estabelecida com seu corpo exposto. Porém, não são todos que sabem lidar com tamanha exposição. Há estranhamento da parte dos amigos e até no trabalho, e isso mais uma vez nos mostra o quão difícil é ser sincero, sensível e “real” o tempo inteiro.

A realidade nua e crua incomoda e amedronta. Ao mesmo tempo que o amor nos traz vontade de abrir nossa alma, “tirar nossa pele” e mostrar o que somos por dentro, traz o risco do estranhamento e a vulnerabilidade de ser machucado a qualquer momento. Amar é disponibilizar-se, é expor-se e dar ao outro a chance de degustar do seu verdadeiro eu – assim como arcar com o risco de, a qualquer momento, ser machucado, tamanha a fragilidade que essa exposição traz. Amar é não saber quando ou como uma ferida pode se abrir, mas ainda sim abrir seu interior para o outro. Podem existir mil e umas definições do que é o amor, mas em uma eu creio piamente – e principalmente: amar é uma via de mão dupla. Por isso, em nada adianta esperar que o outro abra mão de sua armadura sem que você se disponha a abrir de sua própria.

Tire sua própria pele, não somente exija a do outro.

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