He Took His Skin Off For Me ou em uma tradução básica “Ele Tirou Sua Pele Por Mim” foi o produto final do diretor inglês Ben Aston para a London Film School e em seus 10 minutos produzidos em 2 anos conta a história de uma mulher que pede ao seu marido para tirar a pele. Premissa interessante.

Sim, apesar do apelo visual formidável, a história não é sobre o homem. E vou além, nem sobre a mulher que faz o pedido inescrupuloso – inclusive a narradora amoral e fria.

A história tem como personagem principal os Relacionamentos. E a capacidade deles – relacionamento – em deformarem, amputarem e destruírem um ser humano através ou sendo autorizados pelo que alguns tentam chamar de Amor.

Tirar a pele por alguém nada mais é do que abdicar de algo que organicamente é seu, mas em nome de um relacionamento e do seu cônjuge você faz. Uma prova de amor. Mas que amor desgraçado é esse que te coloca contra você mesmo e te reprime, te imprime uma condição não-natural e faz você sangrar pela casa e não conseguir mais ter uma vida normal?

O que impressiona, é que muitas vezes um ato como esse pode ser respaldado com uma falsa reciprocidade. Você arranca sua pele por alguém e bem, ela limpa suas sujeiras diariamente. Parece justo. Cada um faz tudo pelo outro. Certo? Completamente errado. Ações de mitigação de danos em relacionamentos muitas vezes elucidam condições que nem deveriam ter chegado a esse ponto. É culpar o outro por um ato próprio e tentar parecer um mártir ao resolver um problema criado por você mesmo. É uma forma de enganar o parceiro e dizer que o esforço próprio em algo é semelhante ao do outro. Mas nunca é. A construção de um relacionamento de iguais é quase inexistente. E quando se inicia o processo para que seja feito o mesmo pelo outro, o que acontece?

O belo curta londrino mostra em seu Final. Não irei estraga-lo.

Na grande maioria das vezes, e falo isso por experiência e por análise de casais que me rodeiam, é isso que um relacionamento faz com as pessoas. Ele tira suas peles, deforma o ser e deprime um alguém em nome daquilo que ainda insistimos chamar de amor. E como podemos fazer para recuperar nossas peles? Primeiro você nunca pode deixar alguém tirá-la. Pois depois, tudo que pode ser feito é aceitar sua condição como sem pele e viver no famoso comodismo produzido por relações conjugais. Quantos casais não possuem um alguém sem pele ao nosso redor? Basta olharmos. Nós conseguimos ver dezenas, centenas de amigos e colegas amputados de desejos e vontades para agraciar o bel-prazer do outro. Em nome da felicidade. A grande felicidade.

Pode haver uma regeneração, mas é um processo bem lento e o outro precisa ajuda-lo nisso. Precisa te ajudar. Não só limpar as sujeiras. Ao meu ver, a melhor solução é tentar achar sua pele em um lugar novo. Longe daquela pessoa que te “pediu” para tirá-la.

Sempre há tempo para achar alguém que não pedirá pra você tirar sua pele ou que tirará a dela junto. Por você. Por amor. Ou por algo muito maior. Em um relacionamento verdadeiro, não precisamos de peles, armaduras ou roupas. Somos o que somos pro outro. Vestidos, não vestidos, travestidos. Podemos ser de qualquer tipo e com qualquer aparência. O amor, ou o que tentam chamar de amor mas creio que ainda não tem definição, prevalecerá. Com ou sem tecido epitelial presente.

Espero realmente que você já tenha encontrado essa pessoa.

(por Gérson Moraes)

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