Este é meu primeiro texto sobre algum filme da Marvel e, diferente de meu amigo que se diz imparcial entre DC e Marvel, admito que curto mais os personagens e histórias da DC Comics. Consigo, porém, enxergar um valor na Marvel. Gosto de seus heróis, vilões e suas histórias. Nos quadrinhos ambas são gigantes às suas próprias maneiras, mas, para o Cinema, o cenário é um tanto diferente. Desde 2008, com sua fórmula de fazer filmes mais leves, engraçados e para a família, a Marvel conquistou um público cativo. É uma estratégia que eu respeito, mas que cansa, já que me sinto assistindo ao mesmo filme múltiplas vezes.

A “guerra” entre Marvel e DC vai continuar para sempre, só que houve um momento, em 2016, no qual, em minha opinião, a Marvel se mostrou fraca e a DC passou por cima dela (você vai querer me xingar aqui, agradeço se o fizer com respeito). “Capitão América: Guerra Civil” foi uma decepção para mim, esperava um filme maior e inovador e acabou sendo o mesmo filme de sempre. Ali eu entendi do que a Marvel queria fazer da sua vida: ficar na zona de conforto e isso me irrita.

Heroísmo, a gente vê por aqui.

Neste ano tivemos três filmes de heróis e nenhum, diferente de 2016, decepcionou. Todos estiveram acima da média, com uma certa glória. Depois de “Logan”, da ótima sequência de “Guardiões da Galáxia” e de “Mulher Maravilha”, o próximo filme seria este Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Eu assistia aos trailers com um pé atrás. Um pé não, uma passada inteira. Começaram a vir as críticas positivas e não mudei de opinião, pois tinha sido a mesma situação com “Guerra Civil”. Chamei o mesmo companheiro que me acompanhou para “Velozes e Furiosos 8” para assistir a pré estréia comigo e não é que encontro no cinema o sr. Thotti Cardoso, o outro DCzete aqui do Metafictions.

O filme começou e ainda tinha receio, mas resolvi dar uma chance. E que bom que eu a dei no fim das contas. Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um acerto da Marvel que, de uma forma diferente, instiga seu público através de uma aventura mais jovem e, claro, agradando os fãs do teioso.

Após os eventos de “Guerra Civil”, o Homem Aranha/Peter Parker (Tom Holland) volta para casa em que vive com sua tia May (Marisa Tomei). Quando um traficante de armas alienígenas, Adrian Toomes (Michael Keaton) cria uma armadura semelhante à um Abutre vem à tona, nosso protagonista tentará impedi-lo, porém terá que lidar com as restrições de Tony Stark (Robert Downey Jr.). Paralelo à tudo isso, o cabeça de teia ainda tem que se equilibrar com sua vida escolar e amorosa.

Sermão do Stark.

Sem dúvida, o ponto alto filme são os personagens. Aqui temos uma personificação perfeita do Aranha, ele é heroico e engraçado ao mesmo tempo, parece ao mesmo tempo uma mistura da personalidade épica e heroica de Tobey Maguire na primeira trilogia do Aranha, com o humor e alegria de Andrew Garfield nos dois “Espetacular Homem-Aranha”. Tom Holland entrega uma atuação à altura do próprio personagem.

Surpreendentemente, o personagem de Michael Keaton é bom! A Marvel é conhecida pelos seus vilões sem qualidade, mas o Abutre foge a esta regra. Um personagem determinado a ajudar sua família a qualquer custo, bem desenvolvido, cujas motivações geram simpatia no espectador. E, claro, a atuação de Keaton despensa comentários, já que ele é incrível. Terceiro personagem alado para adicionar à filmografia do ator.

Batman, Birdman e Abutre. Keaton é o cara da asas.

Já quanto aos coadjuvantes, temos a crush de Peter, Liz (Laura Harrier) e seu melhor amigo, Ned (Jacob Batalon), que cumprem seus papéis nos momentos necessários e são, em diversos momentos, alívios cômicos. Tony Stark não tira o brilho do protagonista, sua participação no filme está muito bem dosada e, como sempre, a atuação de Robert Downey Jr. é ótima.

O roteiro, por sua vez, é o motivo de eu não entregar uma nota mais alta para esta película. De maneira geral, a história é simples, porém divertida e empolgante. Infelizmente há momentos, conclusões que os personagens tiram do nada, soluções rápidas e bobas que me incomodaram bastante durante o filme.

Ao tratarmos como o filme está integrado no universo, ele é bem isolado. O longa demonstra que o universo dos Vingadores existe e afeta as pessoas, mas ao mesmo tempo, excluindo o Homem de Ferro claro, os heróis não estão presentes, então é um fim mais reservado, o que é uma boa coisa também.

No panteão dos filmes da Marvel, “Homem-Aranha: De Volta Ao Lar” se encaixa entre os bons filmes. É um belo retorno para o cabeça de teia no cinema, que ficou com uma mancha em seu histórico, pós “Espetacular Homem-Aranha 2”. Não sei o que foi que deu na produção do filme para diferenciá lo dos outros, mas que bom que nosso Homem-Aranha está de volta para sua casa, e, daqui pra frente, é só para melhor.

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