Eu tenho um histórico com filmes franceses. A melhor e a pior obra cinematográfica que já assisti são produções da terra da baguete, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e “Na Vertical”, respectivamente. Um dia farei um Assista! de Amélie, mas “Na Vertical” é para mim aquele tipo de filme que você não consegue conceber como e porque foi feito. Uma das cenas mais marcantes, e que me traumatizou para a vida, foi um “cudicídio assistido”. Um senhor quer morrer e um cara que era galudo no cuidador dele vai lá e realiza o ato caridoso de comer a bunda do triste velhinho até a morte, um snuff de conchinha e com consentimento.

Então, ao chegar ao cinema, minhas expectativas eram baixas. “Será que eu veria uma bela fotografia com personagens carismáticos ou pessoas que querem se matar de formas pouco ortodoxas?”, pensei.

Para minha surpresa, Julho Agosto é um filme que te deixa preso no enredo, mas apresenta algumas questões de ritmo. O longa conta a história de duas irmãs, uma na casa dos 14 anos e outra pouco depois dos 20, que vão passar férias em dois extremos geográficos da França. Ao sul, na casa de seu padrasto (Patrick Chesnais), com um belo sol iluminando a marina com barcos luxuosos. Ao norte, na Bretanha, região que carrega características da ilha onde moram os “amiguinhos” dos franceses, a Grã Bretanha, local cinza e que chove dia sim e outro também.

Sul.

O enredo é impulsionado por Joséphine (Alma Jodorowsky) e Laura (Luna Lou), irmãs em épocas bem distintas de seu desenvolvimento. A 1ª curtindo os garçons da vida e a 2ª ainda destilando rebeldia motivada pelo o ato em si, coisas da juventude.

Na 1ª metade do longa, temos uma fotografia alegre, pessoas felizes, festas e um final agridoce. Joséphine se apaixona por um golpista que a envolve num esquema, levando a uma ruptura total daquele núcleo, com personagens enfrentando problemas e grandes desafios.

Norte.

Já na 2ª metade, temos o oposto. Fotografia pastel, pessoas tristes, problemas o tempo inteiro e um final feliz. O problema de Joséphine e dos demais personagens da 1ª metade são postos sob uma nova luz e/ou resolvidos.

Esse contraste de fotografia, situações e resultados é o que salva o filme, já que tudo demora muito para acontecer e ficamos apenas no aguardo enquanto vemos cenas de situações triviais do dia-a-dia e que pouco ou nadam contribuem para o desenvolvimento da história.

Crush brabo.

Os meus pais são divorciados, mas isso ocorreu depois que eu me casei. Então eu não tive essa vida de casa da mãe e casa do pai, que é tão comum hoje em dia. Assim como no longa, meus pais são extremos opostos um do outro, mas eu vivia sob a tutela de regras mistas. Agora imagino se cada um tivesse a sua casa quando eu era criança, quão interessante seria ter regras e situações opostas regulando minha vida. É isso que  o filme consegue passar muito bem.

Imagino que, se você vive/viveu nessa situação, irá apreciar muito mais o filme do que eu. No entanto, mesmo sem me envolver nostalgicamente com uma vivência que eu não tive, Julho Agosto me entreteu o suficiente para eu não lembrar do “cudicídio assistido” durante sua exibição.

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