“If you must blink, do it now.” So I did it… mal sabia eu que seria uma das poucas vezes que piscaria nesse filme sem que corresse uma lágrima pelo rosto. Kubo começa com uma sequência comovente e que conquista o telespectador… lua cheia, noite tempestuosa ao mar, o sobrenatural, mãe buscando salvar seu bebê… em 2 minutos de filme já estava com lágrimas nos olhos.

A película conta a história de um menino, Kubo (Art Parkinson), que manifesta seus dons sobrenaturais quando toca seu Shamisen, instrumento de cordas de origem japonesa que é de extrema importância durante todo o filme. Ele toma conta de sua mãe, que fora seriamente ferida ao tentar protegê-lo do Rei da Lua (Ralph Fiennes – que é seu avô) em sua fuga quando bebê, deixando-a em estado vegetativo em alguns momentos e em outros uma ativa contadora de histórias com problemas de memória. Kubo não saiu ileso dessa fuga, tendo um dos olhos tomado por seu avô. Hanzo, pai de Kubo, pereceu nas mãos de suas cunhadas (filhas do Rei da Lua) tentando ganhar tempo para sua amada e filho fugirem. O Rei da Lua anseia por tomar Kubo de volta para a família e, portanto, nosso pequeno herói não pode ficar exposto à luz do luar… sempre escondido ao anoitecer.

“You must never go there, Simba… I mean, Kubo.”

Obviamente que Kubo acaba se expondo, dando início a algumas tragédias e a uma jornada onde conhecemos grandes personagens com muito carisma e outros pelos quais sentimos desprezo imediato.

Falando em desprezo, as tias de Kubo são os personagens que mais me impactaram. O visual delas lembra a época de ouro de animação de Tim Burton. Ao vê-las, entendemos o motivo de Kubo ter escapado com apenas um dos olhos. Essa família de seres místicos não possui olhos (o que é explicado no final do 2º ato).

Something is up with Jack…

Esse é um filme que não merece ser visto, ele PRECISA ser visto. Por conta disso não entrarei em detalhes da história. Importante mencionar que na jornada de Kubo surgem personagens que remetem ao seu passado, mesmo que ele (ou nós) não perceba. Conhecemos a “Mr.” Monkey (Charlize Theron) e um aprendiz de Hanzo (Matthew McConaughey). A relação desses 3 personagens (4 se considerarmos o pequeno Hanzo origami que os acompanha também) é construída lentamente em volta de eventos que testam seus laços de amizade.

A fuga de nossos amigos do Rei da Noite e suas filhas vira uma busca por itens lendários e culmina em um final emocionante e (até certo ponto) previsível.

Essa animação certamente figura entre as melhores que já vi. Tanto pela história que apresenta, de forma um tanto ocidental, uma visão da Wuxia (literatura e cinema chineses), lendas chinesas e cultura japonesa (como o origami), quanto pela qualidade técnica da animação. O uso de stopmotion é uma arte que felizmente voltou a ser bastante utilizada, tanto que temos duas indicações ao Oscar de animação que bebem nessa fonte: Kubo e Minha Vida de Abobrinha.

Decreto, pelo poder da Lua, que Kubo é a melhor animação da última década.

O contraste entre noite e dia é encantador e mexe com nossa biologia de primata diurno… a noite é perigosa, mas também muito bela. A todo anoitecer sabia que o filme ganharia momentos fortes e dramáticos, isso impulsiona a trama e mantém quem assiste interessado.

Ao final, obviamente, estava enxugando as lágrimas (sim, como você já deve ter percebido eu choro muito vendo filmes) e, ao levantar para ir embora, os créditos começam a passar me obrigando a sentar e assistir até ao final. Uma bela animação em 2d dos eventos do filme ao som de uma versão de While My Guitar Gently Weeps dos Beatles por Regina Spektor irrompe (ao reproduzir agora para matar a saudade, adivinha… caralho…) me fazendo recordar das belas cenas que tinha acabado de assistir. Saio do cinema mais encantado com o mundo, acreditando na força das nossas relações com outros seres e no poder transformador da música (minha maior paixão).

“If you must blink, do it now.” 😉

 

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