Hollywood vive a era das animações, dos filmes de super herói e dos reboots. Uma nostalgia infecta a maior indústria de cinema do mundo, fazendo com que ela se torne refém de seu passado e prisioneira de adaptações de outras mídias. Nesse cenário saturado, de poucas ideias, eis que surge “La La Land” filme de Damien Chazelle, vencedor de 7 Globos de Ouro, incluindo melhor filme de comédia ou musical, melhor diretor, melhor atriz em Comédia ou musical (Emma Stone) e melhor ator em comédia ou musical (Ryan Gosling), tendo sido também indicado para um recorde de 14 Oscar. Além de um rolo compressor para os prêmios do cinema americano, a película é o maior e mais grave sintoma do que Hollywood se tornou: um festim de clichês, ideias passadas em embalagens novas, tentando a todo custo despertar o saudosismo do espectador sem que ele perceba que esta diante de uma cópia feita para um novo tempo.

Quando o filme do premiado diretor de Whiplash começou, senti vergonha alheia. Pessoas saindo de seus carros, no trânsito de Los Angeles, com roupas coloridas, cantando e dançando em sintonia num plano sequência. Assim La La Land abre a porteira para encontrar a tiazinha dos clichês em todos nós.

O casal Seb e Mia

Após a ouverture digna de dar inveja nos Teletubbies, conhecemos os protagonistas. Sebastian, um pianista apaixonado por Jazz que sonha em revitalizar o estilo musical e Mia, que saiu de sua casa em Nevada para ser atriz. Oh que lindo! Dois apaixonados pelo que os EUA tem de melhor: música e cinema. Procurando uma oportunidade de brilhar na cidade das estrelas, Los Angeles. Que se encontra contaminada pela sociedade de consumo e a globalização que prefere o Samba ao Jazz.  Os personagens em NENHUM momento vão além disso, do inicio ao fim são sonhadores que sofrem com a nua e crua realidade que não dá espaço para os sonhos molhados do passado. O desastre só não é completo pelas excelentes atuações de Ryan Gosling e Emma Stone, que, com muito custo, entregam carisma a seus papéis.

Como musical, La La Land entrega canções esquecíveis que se repetem muito no decorrer do filme, coreografias semelhantes à lutas de Mortal Kombat. E, desculpa, Ryan Gosling, mas o senhor não sabe cantar! Além disso, a película não traz nada de novo ao seu gênero, apenas aplica a fórmula “Cantando na chuva” para os tempos de hoje, sem nunca tirar o pé do passado. Com figurino, fotografia, cenários , palheta de cores, tudo para lembrar a Era de Ouro dos musicais hollywodianos. O desfecho até tenta sair do comum, mas era tarde demais. O desfile de clichês, déja vus e personagens planos me fizeram perder total interesse na trama.

Entretanto, é preciso louvar o trabalho de Damien Chazelle e sua equipe quanto a técnica. Eles apresentam um espetáculo visual do início ao fim, acertando desde aos ângulos até os alívios cômicos.

Se você gosta de musicais antigos e não espera nada de novo, caso curta comédias românticas pouco inventivas, então esse filme foi feito sob medida para seu entretenimento. Muito possível que saia saltitando e cantando da sala. Mas caso você seja daqueles que pensa cinema como algo que deve ir um pouco além, em todos os gêneros, fuja ou espere o filme chegar ao Blu Ray para ver no mudo, observando apenas o primor técnico.

O sacrifício de Seb

Sim “La La Land: Cantando Estações” vai ganhar todos os prêmios da temporada, a Academia não precisa nem fazer cerimônia. Porém, não se enganem camaradas, o cinema americano só está retribuindo o favor. Do início ao fim, o longa metragem é uma ode à cultura hollywodiana e uma autoafirmação da indústria cinematográfica ianque, fazendo com que os velhos membros votantes relembrem o tempo dos musicais e cores alegres.

Não deixa de ser curioso  um filme tão saudosista, e que abraça os valores do cinema americano antigo e, portanto, da sociedade tradicional, ser tão ovacionado por um povo que rejeita o homem símbolo da nostalgia ianque e seus valores. Hipocritamente, com La La Land, Hollywood encarna a multidão “trumpista” gritando “Make America great again”.

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