A adolescência é fase em que tudo parece intenso e, ao mesmo tempo, tem um quê de inocência. Dizem que o primeiro amor não dá pra esquecer, e Michael nos prova isso. Um menino, apenas, como ao longo do filme é chamado, tem os mais puros sentimentos por Hanna, visivelmente mais velha. Inicialmente, há uma relação carnal – que, ao meu ver, tenta ser mantida pela mulher, não passando de descobertas sexuais de fim de tarde. Mas, quebrando o clichê milenar “homem canalha insensível”, o menino cria amor por Hanna. Lida de maneira exorbitantemente madura para sua idade, 15, a qual seus amigos começariam a ter olhos para meninas.

Além disso, faz o que Hanna pede: lê para ela. Todos os dias. Hanna permite com a leitura sentir – e somente assim se mostra um ser doce e sensível. Outroras, vejo em Hanna comportamentos maternais como banhar e ajeitar as roupas de Michael. Um tanto quanto edipiano, diga-se de passagem, mas esperado pela larga diferença de idade entre os dois.
Há uma frieza no modo de ser da mulher que se choca com o jeito do menino, e que podemos notar que o contagia enquanto adulto, quando já crescido. Hanna deixa seu apartamento sem avisá-lo e desde então Michael conserva o amor por ela como um tesouro. Anos se passam, pessoas entram em sua vida, mas não como a mulher entrara. Um romance de verão que transformou Michael em um homem machucado e, como consequência, recluso socialmente.

O destino traz Hanna de volta à sua vida, indiretamente. E, mais uma vez, há uma carga imoral em choque ao amor que ele ainda sente. Michael descobre um pesado passado sobre o amor de sua puberdade. Até onde vai a linha do amor e do correto? Amar pode implicar e abalar questões morais, é percebido. Absorvemos também a mensagem de que manter-se fechado é um caminho para a autodestruição. A internalização de sentimentos, sejam as dores de um amor ou o próprio amor, pode corroer quanto mais o tempo passa. Em “O leitor” vemos a importância do sentir e mais que isso: a importância disso ser expresso.

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