Dê play no vídeo e deixa essa porra em looping até o final da sua leitura.

Vamos esclarecer alguns pormenores.

Primeiro: não sou uma marvelete. Embora quem conviva comigo possa dizer o contrário, é puramente uma questão de comparação com sua maior rival. O universo DC se arrasta no cinema. Tudo bem que a franquia dos X-Men não está inserida no universo da Marvel, já que seus direitos são da FOX, mas, ainda assim, apesar de seus inúmeros problemas de cronologia, o universo da FOX é mais bem estabelecido que o da DC.

Segundo: minha paixão por filme de heróis de HQ é unbreakable (essa foi rasa…). Meu vínculo com o mundo das HQs de super heróis data dos anos 80 e foi motivo, por longos anos, de bullying, formando esse ser antissocial e desgostoso com a humanidade. Lembro até hoje da primeira vez que gostar de heróis fez de mim um excluído. Estava eu sentadinho na minha cadeira da escola, com 7 anos e minha carteira nova do Superman em cima da mesa… ela era muito bonita (ou até então eu achava). Até que passa aquele camarada que se acha o gostoso da sala, pega minha carteira, cospe nela e me devolve. Fiquei olhando para minha carteirinha com baba escorrendo enquanto todo mundo ria. Ali nasceu um geek raiz, que amava mais ainda as coisas que proporcionavam seu distanciamento das pessoas ao seu redor. Por isso que sempre amo filmes de heróis de HQs, eles reforçam quem eu sou.

Fui assistir essa película com outros dois membros do Metafictions. Cada um deles foi com algo em mente. Gustavo, o viril, foi ver gore… um John Wick com menos técnica e mais sangue. Thotti, o pequeno gafanhoto, foi para se certificar que eu não daria 6 claquetes para o longa (ele é um DCnauta… não contem para ninguém, mas ele gostou de Batman VS Superman).

Meu amigo… esse é o Wolverine que gostaríamos de ter visto desde sua 1ª aparição em 2000. Um que xinga pra caralho e é violento pra cacete. Que carrega seus mais de 100 anos nas costas com muitos pesares. Que chegou a um ponto na vida que, foda-se… se manter vivo é o suficiente (quando muito).

É sério isso, Logan?

O longa conta a história de Logan (Hugh Jackman) cuidando do professor Xavier (Patrick Stewart), já na casa dos 90, e de uma pequena menina pouco depois de sair da sua 1ª década de vida. Como você já deve ter visto no trailer, essa guria (Dafne Keen, X-23) é uma mutante que possui as mesmas habilidades que nosso protagonista. Eles cruzam o país numa roadtrip com um grupo paramilitar em seu encalço. Um enredo bem simples e que funciona muito bem. A qualidade do longa não está num objetivo maior que os personagens (como costuma acontecer nesse gênero), mas, sim, em como a relação desses personagens se desenvolve.

Você já se perguntou o que aconteceria se o Logan desse com suas garras na cara de alguém? Pois bem, sua pergunta seria respondida, com visuais impressionantes e sem censura, inúmeras vezes e não somente na cara, mas praticamente em todas as partes da anatomia humana. Wolverine é isso, um animal. E ele não está sozinho, X-23 (como aparece em sua ficha “médica”) é um ser que se assemelha ao Logan não somente em seus poderes/habilidades, mas também na sua fúria. As mortes mais espetaculares, sem dúvida, são dela.

Ainda bem que você sabe…

Embora o filme gire em torno da X-23 e Logan, o melhor personagem do filme é o Charles Xavier. Sofrendo de alguma doença degenerativa no cérebro, ele é obrigado a viver isolado e medicado para evitar que seus poderes saiam de controle. Uma das cenas mais comoventes (e talvez a melhor do filme) é com Xavier conversando com Logan sobre um incidente na costa leste, provocado por ele ao perder controle da sua mente… levando à morte de muitos, incluindo pessoas próximas. Basicamente Logan precisa viajar cuidando de dois mutantes muito poderosos que não conseguem controlar seus poderes.

Parece que o jogo se inverteu, não é mesmo?

Muitos easter eggs estão na tela para serem encontrados, mas um que ultrapassou a linha da passividade foi a auto referência aos X-men em quadrinhos. Quadrinhos que eu ou você já lemos, mas que contam histórias de grandes atos com pouca precisão e glorificando atos de atrocidade… não muito diferente do que acontece com os heróis reais da nossa história.

Infelizmente o filme não sai ileso de vários problemas como tornar as ações/motivadores críveis. Alguém faz algumas filmagens importantes de celular em um lugar que celulares não entrariam em hipótese alguma. Não bastando filmar várias vezes, ainda edita o vídeo e deixa ao acaso no celular para ser encontrado… Youtube pra que?

Existe uma questão de fronteira também, que aparentemente no filme não é policiada… ok, nem todas são, mas esse não é o problema. O problema está em cruzar uma linha imaginária no meio do nada e pronto, conseguimos fugir do perigo. Porra! Se não é policiada e nem delimitada visualmente, por qual caralhos eles estariam salvos? Imagine você, moleque piranha, fugindo de uma surra dos seus pais em casa, ao cruzar o portão pra rua você se sentiria salvo? Por experiência própria eu apanharia na rua mesmo enquanto seria arrastado pra casa.

Talvez o que mais incomode seja forçar um vínculo entre personagens que se conheceram há pouco tempo (X-23 e Logan). Apesar de ter um desenvolvimento interessante, o final força uma barra para criar um vínculo que demora muuuuito mais tempo para ser criado do que o filme mostra.

Enfim, nós 3 saímos satisfeitos do cinema. Eu reforcei meu amor pelas HQs, Gustavo viu violência e sangue e Thotti certificou-se que eu não daria nota máxima. Sem contar que nós 3 vimos um belo filme..

Obrigado, Deadpool!

Nota do Editor: O Ryan chorou novamente vendo esse filme. Ele diz que não. Mas chorou sim.

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