Estou aqui escrevendo esta resenha por um motivo, me deram a “honra” de escrever a crítica do aclamado Manchester à Beira-Mar. Sou o terceiro em uma lista de três a receber essa tarefa (e o último), o primeiro passou para o segundo com a alegação de que era um filme incrível demais para poder resenhar e o segundo passou para mim com a mesma alegação (nem para ser um pouco criativo). Confesso que fiquei assustado. “Será tão incrível assim?”, ”Será que eu possuo as qualificações necessárias para dissertar sobre tal filme?” eu pensava, até que sentei para assistir o filme.

Estava pronto para assistir a película tida como “o melhor filme do ano” ou “o filme mais depressivo que você verá em sua vida” e essas frases me deixavam mais animado e mais temeroso, quando chegar a hora maldita de escrever a respeito. Após duas horas e quinze minutos de filme, eu parei e refleti sobre o que eu tinha assistido. Não, não é que o filme seja bom (e é mais que isso), ele vai além e se torna uma aula sobre atuação e sobre roteiro em uma produção só.

Lee (Casey Affleck, que está sendo indicado ao Oscar de melhor ator) é um “faz tudo” em um condomínio de prédios nos subúrbios de Boston, conserta canos, chuveiros, tira a neve, e, além disso, é um homem chato, sem graça e nem um pouco interessante. Um dia recebe a triste notícia que seu irmão (Kyle Chandler) faleceu e deixou para trás um filho de dezesseis anos, Patrick (Lucas Hedges, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante) é um menino que gosta de curtir a vida, tem duas namoradas e vários amigos. No testamento do irmão, Lee fica responsável por cuidar de Patrick. Não bastasse isso, o personagem de Affleck é assombrado pelo seu passado, que envolve sua ex-mulher (Michelle Williams, indicada a melhor atriz coadjuvante).

A perda é algo que quebra você ao meio, que destroça o coração e a mente, que faz você pensar “Como vou seguir com minha vida após isso?”, mas, após um tempo, seus estados emocional e mental vão se acostumando com aquela ideia e você supera aquela perda. Apesar disso, muitas vezes a perda não é superada e sua cabeça leva o acontecimento pro resto da sua vida fazendo com que você deixe de viver como deveria, é o caso de Lee, que não consegue superar seu passado tenebroso.

O roteiro do filme, indicado a  melhor roteiro original, segue com a seguinte estrutura: acompanhamos o presente e aos poucos vamos conhecendo o passado do protagonista. Aqui, assistimos uma história de perda, de sofrimento e angústia que faz com que o espectador se envolva com os personagens. A narrativa é crível, você acredita no sofrimento do protagonista e nos desafios que ele precisa enfrentar durante o período que assistimos em tela.

Até assistir a este filme, estava eu com meu voto de melhor ator no Viggo Mortensen em Capitão Fantástico, agora o jogo se modificou completamente. Affleck não só atua bem, mas deixa o espectador angustiado, já que só possui uma emoção que transmite através do tom da sua voz, de sua expressão facial e de suas falas. Ele entendeu o personagem que lhe foi apresentado e entrega um trabalho muito acima da média.

Quando se fala em direção, também não há erro, Kenneth Lonergan, que está sendo indicado à melhor diretor, consegue executar as cenas com maestria e qualidade, criando uma interação entre o cenário, os personagens e os diálogos, digna com o roteiro e os atores.

Afinal, estavam meus colegas corretos? É mesmo o melhor filme do ano? Em minha humilde opinião, não acho que foi o melhor, mas com certeza foi um destaque, e que destaque. É um filme de angústia, magoas e sofrimento que lhe cativa graças a grande qualidade posta nesta obra. Não é à toa que está sendo indicado a melhor filme.

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