Você se lembra de toda aquela sensação de insignificância perante o mundo, de solidão e de propósito que você sentiu jogando Journey? Sim?! Então prepare-se para sentir boa parte disso jogando Abzû, distribuído pela 505 Games e desenvolvido pelo estúdio Giant Squid.

Para melhor aproveitar a experiência proposta pelo game, primeiro é necessário não criar expectativas em relação à desenvolvedora, que incorpora membros que trabalharam no aclamado Journey. No entanto, é inegável o apelo aos nossos sentidos a cada instante, com a bela trilha sonora e o design gráfico, que acaba inevitavelmente a Journey.

Desta vez, ao invés de perambular por desertos quentes e frios, nosso protagonista se aventura pelo oceano. Tema que abre muitas possibilidades, mas que o jogo não explora com tanta criatividade. Embora sejam bonitos e interativos, você verá algo em torno de 4 cenários diferentes, sendo que os maiores contrastes visuais ficam por conta da iluminação.

Nota-se uma grande preocupação em retratar a vida marinha com precisão, tanto de mamíferos e peixes, como de répteis, anfíbios e invertebrados. Aliás, talvez seja esse o maior destaque do jogo. Os animais em Abzû se comportam de forma semelhante à vida real e é possível interagir com eles. A vida marinha acompanha o desenrolar da trama e dos ambientes, introduzindo espécies a cada nova etapa.

A mecânica do jogo é muito simples. O jogador pode tão somente nadar e interagir de forma bem limitada com alguns elementos do cenário. O nível de dificuldade é baixo, com puzzles de pouca complexidade e cenários que não te fazem perguntar “por que esse jogo não tem mapa?”. Temos que ter em mente que Abzû é uma experiência sensorial e não um jogo de engajamento intelectual.

A história é simples e aberta a intepretações. Cada pessoa que perguntei me deu uma visão diferente do jogo, que foi completamente diferente da visão que eu mesmo tive ao terminar. Não há diálogos, cutscenes ou textos, o que aumenta a imersão subjetiva da narrativa e a deixa mais individual.

Ah… Austin Wintory… reconhece esse nome? Não?! Deveria. O compositor da trilha sonora do Journey volta ao mundo dos games com a trilha de Abzû. Talvez aí resida o maior trunfo e problema do jogo: a expectativa. Esperava algo tão grandioso quanto em Journey, mas não recebi. O que não quer dizer que a trilha seja ruim, ao contrário, a trilha é rica e intensa, mas não entrega aquela sensação de uma jornada épica e essencial ao protagonista. Sei que é injusta a comparação, o mesmo que comparar uma Ferrari F50 com um Toyota Corolla.

O jogo é curto, bastando cerca de 1h30 para chegar ao final. Jogadores mais curiosos e que gostam dos colecionáveis (que são poucos em Abzû) conseguirão estender a jogatina até 4h em média. Infelizmente não é um jogo que pede uma segunda aventura, mas não menos merecedor de sua atenção. Vale o mesmo para filmes, sendo esse jogo seria aquele longa que você não sente que precisa rever para tirar o máximo aproveito.

Caso você esteja buscando passar algumas horas em uma viagem a subjetividade, com uma bela trilha sonora e visuais cativantes, Abzû é um bom investimento.

Disponível para PS4 por R$61,50

Xbox One por R$39,00

PC na Nuuvem e Steam por R$36,99

Sugestões para você: