Até hoje nunca me perguntaram qual é minha palavra favorita. Isso me magoa. Isso lateja no fundo da minha alma. Por isso tenho fé que você, leitor, agora tenha interesse em conhecê-la. Dialética, sem duvida é meu vocábulo preferido. Que nada mais é que um princípio filosófico iniciado lá na Grécia Antiga por um senhor muito louco que gostava de observar rios, Heráclito. Dialética literalmente significa “caminho entre ideias”, sendo geralmente definida como conflito, contraposição entre ideias e pontos opostos que levam à verdade.

Quando pensamos em videogames, pensamos num encanador italiano perseguindo uma princesa num universo de cogumelos. Mario se consolidou como maior franquia da indústria, graças à sua inocência, gameplay envolvente e trilha sonora fustigante. A franquia do bigodudo ganhou diversas continuações graças ao investimento e lucros da gigante Nintendo.

Claro que o encanador ganhou concorrentes, na década de 90 algumas pessoas afirmavam categoricamente preferir Crash Bandicoot ao italiano de Shigeru Miyamoto. Alguns até hoje guardam com carinho o jogo da Sony, que por mais que se contrapusesse a Mario em diversos sentidos, guardava mais semelhanças do que diferenças com o mesmo.

Eis que em 2008, um desenvolvedor independente, conhecido como Johnathan Blow lança um jogo plataforma, com um protagonista engomadinho, vestido com terno e gravata que tem como objetivo resgatar uma princesa e a habilidade de controlar o tempo. O que a princípio não parecia nada demais, terminou por se tornar um dos maiores jogos de todos os tempos. 27 anos depois de sua criação, Mario ganhou um oponente digno no jogo filosófico da dialética. Oscilando entre o sagrado e o profano, divino e satânico, investindo todas suas fichas na complexidade – seja ela de gameplay ou de história -, Braid ajudou a consolidar toda uma indústria de jogos independentes.

A princesa se encontra em outro castelo

Atmosfera mística, trilha sonora perturbadora e enredo cujo interpretações vão desde uma relação conturbada até a bomba nuclear. Johnathan Blow foi um dos pioneiros desse novo mundo dos videogames que não mais se contenta com diversão. Quer arte, complexidade, simbolismo a todo custo, a todo momento.

Caro leitor, você provavelmente conhece Mario, conhece a indústria dos videogames baseada no entretenimento puro, infantil e lírico. Chegou a hora de conhecer uma nova indústria dos videogames. E que maneira melhor de fazer isso senão por seu pilar de 2008. Pelo bem da dialética, jogue Braid.

“Agora somos todos filhos da puta” -Kenneth Bainbridge

Disponível para Playstation 3 e 4 por 30,99 na PlayStation Store

Disponível para PC por 27,99 na Steam e no GOG 

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