No início do século XX um grupo de camaradas geniais se reunia para uma batalha que sabiam não poder vencer. Suas armas eram câmeras, lápis e a ideia de que o mundo burguês, o trabalho mecanizado e o racionalismo haviam deturpado a humanidade. Inspirados por Nietzsche e Freud, eles, por meio da arte, tentaram devolver aos homens e mulheres daquele mundo a paixão que haviam perdido, o espírito dionisíaco há tanto abandonado. 

Fritz Lang (Metropolis), Robert Wiene (Gabinete do Dr Caligari) e Murnau (Nosferatu) foram os mais ilustres diretores responsáveis pelo Expressionismo cinematográfico alemão. Movimento que combatia horror com horror, focando no verme de olhos bem abertos em que a humanidade havia se convertido, desprovida de sentimentos, vivendo por esporádicos momentos de um prazer tão fútil quanto artificial. 

Quase um século se passou, os filmes já não são em preto e branco e raramente é possível assistir algo que nos remeta aquele inventivo horror do Gabinete do Dr Caligari ou a genialidade de Nosferatu. Todavia, o ser humano só piorou, definhando nas redes sociais e apodrecendo nos portais virtuais (tal como você aí lendo) e a arte parece ter deixado de lutar.  Entregues as armas e acompanhado o fluxo desse rio escuro e denso que se chama modernidade.

“You want it darker.”

Nesse sentido, Limbo é um jogo do passado. Evoca aquele sentimento de miséria, horror e melancolia que os mestres alemães da década de 20 tanto provocavam. Desenvolvido pela Playdead, empresa de Inside já esmiuçado aqui pelo mestre Fields, Limbo é um ato de resistência. Com sua monocromia de um branco e preto triste, trilha sonora minimalista, sutilmente putrefata e cenários que remetem ao abismo, o jogo é uma elegia de tudo aquilo que nos tornamos. 

Passando por lagos podres, letreiros que já não se acendem e penhascos, somos perseguidos por uma aranha. O objetivo nunca está claro e puzzle atrás de puzzle perseguimos um objetivo cada vez mais nebuloso. Sua história é um enigma, que remete às nossas piores lembranças e à melancolia de ter naufragado no útero. Um pequeno garoto, num mundo tão grande quanto vazio.

 

“We kill the flame.”

Mesmo após tantos anos, se Lang ou Murnau tivessem a oportunidade agradeceriam a desenvolvedora dinamarquesa, porque enquanto o cinema se entrega anos após ano, a indústria dos games vai em busca do tempo perdido. 

Disponível para:

PC na Steam e GOG por: 16,99 reais e na Centralkeys por: 29,90 reais

Xbox One por: 19,00 reais

Playstation 4 por: 20,99 reais

Disponível para Android na Google Play por: 19,15 reais

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