O saldo dessa semana, para mim, é de: duas espinhas internas no meio da testa, sono desregulado, tarefas inacabadas e acumuladas e, por fim, de saldo mesmo, citemos brevemente o tal do cheque especial. Eu sei, um monte de “problema” estilo “minha Veja veio fora do pacote”, mas relevem. Eis que, deliciosamente, a estreia do novo filme da franquia dos minions – digo, do Gru e coisa e tal – cai sobre meu colo. Entrar na sala de cinema depois de exaustivas entradas em salas de aula era algo que minha saúde mental precisava. Mas olha que loucura é ser professor: não é que até na hora de lazer a gente lembra de nossos pupilos? Inclusive até encontrei um aluno meu na sessão mesmo, duas fileiras depois da minha. O filme me satisfez muito por passar a certeza de que meus pirralhos vão AMAR a história toda. Por um breve momento queria eu estar até ali com meu inexistente filho Hélio, menininho de 3 anos, gorduchinho e loirinho que crio na minha cabeça pra aproximadamente daqui a 8 anos. Por ora, éramos eu e a pipoca mesmo.

Meu Malvado Favorito 3 traz na premissa desafios regulares na vida de um ser humano: desemprego, fracasso, crise existencial, competitividade para com seu irmão e a aceitação de que os anos 8o acabaram sim, meus caros. Chega de ombreira e gel no cabelo. No entanto, toda essa ordinarice é colocada NUMA ANIMAÇÃO INFANTIL! E o que sai é mais ou menos isso: Gru (Leandro Hassum) acaba de ser demitido do emprego junto com a nova namorada, Lucy (Maria Clara Gueiros), no qual ambos atuavam como agentes combatendo o mal. A partir disso a inevitável crise existencial toma conta de Gru e até seus próprios minions quesitonam se ele não devia mais é voltar pro lado negro da força.

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Proletariado reivindicando direitos trabalhistas em greve contra… a índole não-vilanesca de seu patrão!

No meio dessa down, o rabugento recebe a notícia que tem um irmão gêmeo (a mãe do Gru é notória por ser uma babaca que zoa bonito o personagem) e, já que tá sem nada pra fazer, dá um pulinho numa cidade estileira Nápoles. Daí os dois começam a construir um laço através do denominador em comum da família: a vilanice. Dru (também Leandro Hassum) é um cara que parece o Ben da Barbie e tem cabelos mais sedosos que os meus mas que, para decepção de seu pai, desatina na arte de ser mau. Através dessa brecha, os dois iniciam a missão contra Bratt (Evandro Mesquita), um vilão embebedado dos anos da brilhantina a quem vou dedicar mais linhas pois é genial demais.

Entre uma presepada e outra, seus fiéis (mas por ora meio desleais) escudeiros minions presenteiam o público com palhaçadas que misturam a mentalidade de uma criança de 1 ano e meio com a de jovens adultos. Paralelo ao desenrolar da história de Gru, os bichinhos que ora são fofos, ora são seriamente fofos, criam cenas musicais e piadas no seu próprio linguajar que são bastante graciosinhas. Teve uma cena em especial que me fez rir que nem hiena gripada e cheguei a lacrimejar – nessas horas eu fico aliviada de estar sozinha no cinema. E, por último mas de forma alguma menos importante, temos as fofurices das filhas do Gru, em especial Agnes e sua unicorniomania (justificável). As três menininhas são tão fofas que quero explodir, citando a mais nova do grupo.

Dru e Gru. Rene, olha esse cabelo, bicho… até a Lucy tá dando uma invejada ali de fininho.

Como eu disse, uma das temáticas que o filme se apropria é a memória dos anos 80, década que, convenhamos, é digníssima de ser escrachada. De forma inteligente, o filme constrói o combo vergonha-alheia através do personagem de Bratt que é todo 80’s: ele usa ombreiras (eu já disse que isso tem que parar), gel, fez parte de um seriado quando criança que faliu e foi esquecido por Hollywood. Ou seja, faz menção a umas séries que não lembro o nome (cof cof, Três é Demais, é você?) e reafirma que, crêndeuspaitodopoderoso, nada pode dar certo ao som de “Physycal“, né? Ah, e falando de música, o filme traz uma trilha sonora excelente por ser clássica, mesmo que eu ache uma merda de brega esse hit de Olivia Newton-John (acho que é um consenso?), encaixando bem nos trocadilhos que cria e sendo divertida. Acho legal também essa exposição de música das antigas pra essa geração de agora.

Com vocês a personificação dos oitentão, Bratt!

Ao melhor estilo Power Rangers de explosões e confronto, o filme segue sua história e fecha bonitinho a coisa toda. Apesar de não ser a mais revolucionária animação ou, ainda, o melhor dos três filmes, Meu Malvado Favorito 3 é entretenimento garantido pra quem decidir assistir. Saí do cinema mais leve, bobona e feliz, apesar de ainda cansada. Leve o seu Hélio, como eu faria, ou leve-se e aproveite essa aguardada e gostosa estreia animada!

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