1997, USA. No final desse ano o clássico “Titanic” foi lançado. O que eu tenho a dizer sobre isso?

ABSOLUTAMENTE NADA. Eu quero que “Titanic” vá catar coquinho. Por que, no mesmo ano,  porém meses antes, era lançado o ainda mais clássico “MIB – Homens de preto”. Não há Kate Winslet que barre alienígenas e as nojentices bizarras dessa franquia de-li-ci-o-sa.

Antes de qualquer coisa, quero confessar  que esse filme é um dos maiores “guilty pleasures” que tenho na vida; posso dizer que gosto bastante dos filmes, em especial o primeiro. E é ao primeiro que  dedico esse texto. Imagine uma garotinha dos seus 6 anos na casa da avó beirando o tédio quando liga a TV na sessão da tarde e, BOOM, lá está a saga dos agentes Kay (Tommy Lee Jones) e Jay (Will Smith). A minha reação? Eu fiquei ATERRORIZADA – mas não queria parar de assistir. Eu lembro até hoje que liguei bem na cena de um dos (patéticos) alienígenas do filme que, para a minha cabeça de criança boba, era uma figura assustadora. A partir disso criei um medinho – do qual eu tirava vantagem pra minha avó me dar atenção e assistir TV comigo – pelo filme “MIB” até os meus 8 anos. Desnecessário dizer que, apesar do curto período entre a descoberta do filme e a superação do medo idiota, a Sessão da Tarde reprisou umas 167 vezes.

“Vóóóóó, tem um monstro na TV, vem cáááááá”

O filme é um daqueles que é tão, tão, tão horroroso (visualmente e em termos de história) que acaba ficando fantástico demais. Eu revi essa semana pela milésima vez e, estou sendo muito sincera, havia cenas em que me pegava chorando de rir. Will Smith basicamente teve seu personagem de “Um maluco no pedaço” (1990-1996) realocado e suavemente adaptado pra temática ficção-científica-comédia-pastelão. Frases como “Tem chovido muito negro aqui em NY” quando cai num carro de turistas brancos são o tipo de comédia à que me refiro. Ou, bonachão que é, zombando do Kay enquanto veste o terno preto: “Sabe qual a diferença entre nós? Eu fico bem com essa roupa”. É brilhantemente ridículo e vice-versa. Eu me recuso a acreditar que em algum momento “MIB” teve pretensão de apresentar algo que não burlesco. E é nisso que insiro o pessoal apreço pela produção.

Ah, e a dublagem. A dublagem, meus caros. Existe algo mais nostálgico do que ver um filme dos anos 90 dublado em português e sentir nos seus tímpanos aquelas traduções meia boca? “Merda” vira “droga” e uma frase minimamente intimidante vira “o problema é que você fica falando BESTEIRA na minha cara”. Obrigada, (versão brasileira) Herbert Richards.

A história é a seguinte (não me importo com qualquer possível spoiler, o filme já tem VINTE ANOS): o já velho Kay esbarra com Jay e recruta-o para salvar a terra de um inseto invasor que quer acabar com uma galáxia inteira por que é um babaca. “Oi, tudo jóia? Vamos salvar o mundo, simples policial de Nova York. Você me parece qualificado”. Essa fala não existe, que constem dos autos. Enfim, o enredo é bem simples até, mas tem valiosos momentos de ouro. Ao longo da história, temos o prazer de ver Will Smith ajudando a PARIR UM ALIENÍGENA, a figura de taxistas nova-iorquinos sacaneada de forma ilimitada, bordões e mais bordões a cada cena de combate, tomadas semi-escatológicas e melequentas e efeitos especiais obsoletos.

Parabéns, papai, é um… polvo!

Ao longo das secreções expelidas com as explosões de corpos alienígenas, que de tão surreais parecem mais mostarda dijon ou amoeba (a geleca), os agentes precisam recuperar a galáxia que a desgraçada da barata (já disse que o vilão é um inseto né? Então,é uma barata) roubou de um gato. Na verdade, pertencia ao dono do gato, mas prefiro dar maior protagonismo pro gatinho que é uma coisa fofinha demais. Previsivelmente, eles salvam a humanidade e fica tudo na paz no final. Não antes sem mais explosões, meleca, jargões, mixagens de sons descompassadas e exageros visuais. “MIB” é um dos melhores piores filmes da década de 90, quase anos 00.

“Pra todos os lugares que olho, nada além de seres inferiores, sem desenvolvimento, sem qualquer consciência, uma escória… totalmente convencidos de sua superioridade mas que levam uma vida miserável”. Acha que eu tirei de algum livro do Bauman? Não, isso aí é a fala do vilãozinho, a barata. Curioso, não? E, a partir disso, chego a conclusão de que “MIB” carrega uma importante lição para o telespectador. A mensagem continua atual, apesar das duas décadas dessa primorosa e imbecil produção responsável por amor e vergonha alheia dentro de mim.

A mensagem é, na verdade, um fato. Um fato irrevogável: ninguém gosta de baratas.

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