Como eu amo animações! Ao ponto de ir assistir a um filme franco suíço que teve sua estreia em apenas uma sala do Rio. Lá estava eu as 20h, depois de ter assistido a dois filmes e ter acordado as 5h30 da manhã. Mas não estava sozinho! Ao meu lado nessa maratona estava Gustavo, o viril (ele recuperou a sua virilidade após assistir o John Wick). Pela primeira vez me senti um crítico de cinema (apesar de não ser um) ao sentar para ver um filme de animação estrangeiro concorrente ao Oscar em uma sala com total de 4 pessoas.

Uau! Como você é profissional!

Courgette (Gaspard Schlatter), abobrinha em francês, é um menino de 9 anos que vive em um lar com uma mãe descompromissada com os deveres da maternidade. Um evento ocorre e nosso protagonista vai morar em um orfanato com outras 6 crianças aproximadamente da mesma idade. Cada uma delas possui problemas e personalidades definidas. Temos a filha de imigrante deportada, o filho de um criminoso, órfãos literais e meninos cujos pais os abandonaram… comprovando que até mesmo em países ditos desenvolvidos temos evidências que a humanidade falhou.

Aqui meus olhos encheram d`água.

Seguindo um ritmo francês, a animação (em stop motion! Yeah!) não possui rupturas ou grandes transformações, muito menos buscas por algo que nos defina como pessoas. O filme se atém a mostrar as sutilezas do nosso convívio com outros seres perturbados e marcados pela vida. O simples cotidiano é o foco e a delicadeza com que isso é mostrado comove. Cenas com o descobrimento da primeira paixão, guerra de bolas de neve, indagações sobre de onde os bebês vêm, do constrangimento em sofrer bullying (claro, sempre tem um merda) e outras cenas tão ordinárias foram assimiladas enquanto eu dava um pequeno sorriso e concordava movendo a cabeça.

A ligação que temos com outras pessoas que são danosas, mas com quem ainda assim ansiamos para manter, também me comoveu. Muitas vezes não sabemos o que fazer quando o que consideramos certo nos é tirado, mesmo quando essas coisas/pessoas são ruins.

Aqui é fechamento.

Achava que Zootopia teria uma vida fácil nessa categoria, mas depois de assistir Kubo e meu amigo Courgette, já não tenho tanta certeza.

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