24 de Janeiro de 1989. Penitenciária da Flórida, EUA. O mais notório serial killer americano, Theodore Robert Bundy, ou simplesmente Ted Bundy, foi executado na cadeira elétrica após uma longa “carreira” como assassino sádico sexual. 30 anos mais tarde, em 24 de janeiro de 2019, a Netflix lhe rende uma “homenagem” que talvez nem mesmo o próprio Ted Bundy poderia imaginar. Na verdade, ele imaginava algo assim, ele queria algo assim.

Até onde se sabe, Ted Bundy assassinou 34 jovens mulheres (sua última vítima foi uma menina de 12 anos, Kimberly Leach) durante os anos de 1974 e 1978 em pelo menos 6 estados diferentes; hoje muitos especialistas da vida de Ted sugerem que o sádico assassinou sem piedade mais de 100 mulheres. A série produzida pela Netflix não traz nada de novo a respeito de Ted Bundy, pelo menos para aqueles que já viram dezenas de documentários a respeito do infame assassino. A série é baseada em recortes de gravações de entrevistas dadas por Bundy a um jovem jornalista na época. No total de 4 episódios, ela nos mostra o início da vida de Bundy contada por ele e por pessoas próximas, seus assassinatos, vítimas, modus operandi, sua caçada incessante por mulheres jovens, todas semelhantes a um velho amor que ele tivera por volta de seus 20 e tantos anos.

Egocêntrico e narcisista ao extremo, Bundy se deliciava com toda a atenção que a mídia lhe dava na época. Tudo o que ele queria eram os holofotes. E eis que 30 anos depois, ele ganha mais do mesmo! Pergunto-me se as pessoas que veem essa série hoje podem acreditar que Bundy seja inocente. Na verdade, posso apostar que alguns, de fato, acreditem. Sim, Ted Bundy ainda pode continuar a gerar dúvidas nas pessoas. Até o dia de sua morte, sempre se declarou inocente, mesmo que houvesse centenas de evidências de que ele cometera tais crimes bárbaros. Se Jack, o Estripador, dizia ter inaugurado o século XX, pode-se dizer que Ted Bundy deu início ao século XXI, o século onde assassinos podem se tornar pop stars, o século da pós-verdade.

Embora a série possa ter tido uma boa produção e dramaticidade interessante, pergunto-me o por quê de nos fascinarmos tanto com uma figura tão banal. Sim, Bundy é banal no sentido dado por Hannah Arendt ao analisar os burocratas assassinos do terceiro Reich de Hitler. “Como ele é bonitinho, fala bem, então não pode ser um assassino”, dizem alguns, e é assim que percebemos sua banalidade. Bundy só engana idiotas! Engana aqueles que ainda não podem conceber a natureza humana como vil e ardilosa. Bundy cria um personagem, como tantos hoje criam personagens em redes sociais. E as pessoas acreditam. Se não acreditassem, qual seria então o objetivo da série?

Pessoalmente, acompanhei os 4 episódios com certo sono e desapego. Bundy não merece nossa atenção e façam o favor de esquecê-lo. Foram mais de 100 jovens mulheres assassinadas. Em memória delas, qualquer coisa produzida hoje em dia que possa fazer sofrer os pais, mães, irmãos e tantos que sofreram por conta de um imbecil, simplesmente não pode ser bem avaliada, pois não estamos falando aqui de um personagem fictício como Hannibal Lecter; estamos falando de um ser banal como Ted bundy, que matava mulheres para satisfazer seus desejos sexuais. Bundy, você não passa de um merda! Já a série é, no máximo, razoável.

(por Leonardo da Cunha)

 

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