Ao sair da sala de exibição desse filme, um senhor peruano – que, sabe-se lá porque, foi ver este filme na sessão das 14 horas do dia da estréia – me abordou e me perguntou quem era “aquele señor gordo que canta ao final de la película?”, emendando também com uma pergunta sobre qual “canción” era aquela que ele havia cantado.

Ele se referia à cena final do filme, na qual, sabe-se lá porque novamente, Sidney Magal aparece do mais absoluto nada e começa, no que é acompanhado em dança e voz por todo o elenco, a cantar “O Meu Sangue Ferve Por Você”, um dos maiores clássicos da história do cancioneiro nacional. Segundo o senõr peruano, aquela teria sido uma maneira genial de se encerrar la película.

Felizmente, esse senhor não deve ser o responsável pela produção cinematográfica de seu país e evidentemente desconhece como funciona a lógica das comédias de esquetes nacionais como “Vai Que Cola” e o antigo “Zorra Total”, nas quais terminar o episódio da semana com um número musical é praxe, ainda que nem sempre com o semi mítico Sidney Magal.

Na ordem: Virgem doida pra dar, bandido gente boa que não se liga que a virgem tá doida pra dar, mulher de carreira dominadora, funcionário pau mandado da mulher de carreira, adolescente broxa mas doido pra foder, namoradinha fogosa mas compreensível com a paumolescência do moleque, mulher louca para casar, duas bichas gordas e escrotas.

Desfilando um elenco de personagens ofensivamente estereotipados, um roteiro sem pé nem cabeça e uma direção que não se decide se quer fazer do filme uma comédia familiar, uma pornochanchada ou um filme escrachado, Ninguém Entra, Ninguém Sai não funciona em nível algum.

Temos aqui o seguinte arremedo de história: surge a suspeita de uma infecção por um vírus chamado de Xabu dentro de um motel, que é, então, interditado pelo Coronel Padilha (André Mattos), um coronel da polícia militar que se veste como um bicheiro durante o seu expediente. Neste motel interditado, todos os casais estereótipos do mundo lá se encontram. É uma gostosa de 30 e poucos anos que é virgem (Mariana Santos), uma juíza que gosta de se meter a dominatrix (Danielle Winits) e um casal de fodido suburbano formado por um sujeito que tá doido para comer uma menina que só pensa em casar (Emiliano D’Ávila e Letícia Lima).

O máximo de nudez que nos é relevada.

Para um longa passado em um motel – ambiente extremamente erótico, cheio de consolos e vibradores – o filme é bem comportadinho demais, muito provavelmente para conseguir manter a sua classificação indicativa de 12 anos. Isto, contudo, se mostra um erro, uma vez que é visível que os atores e a própria direção estão se segurando demais para não falar um palavrão ou fazer alguma gag mais adulta. Tampouco o filme apela para a sua inerente sexualidade. O máximo de nudez e putaria que nos é mostrado são mulheres e homens com nada reveladoras roupas de baixo.

Temos aqui, portanto, um filme que poderia ser uma boa comédia escrachada e sexual, um bom filme erótico meio chanchada meio soft porn ou até mesmo uma boa comédia. Ocorre que o longa não é nenhuma dessas coisas, deixando o espectador com a impressão de que se trata uma puta oportunidade desperdiçada, a se considerar o elenco que conta com bons e novos nomes da comédia brasileira, como Letícia Lima e Rafael “errou feio, errou rude” Infante, além do lendário e inacreditavelmente subaproveitado Antonio Pedro, que, salvo engano, nem fala tem!

Felizmente, o filme é curto, contando com apenas 83 minutos, o que me deu a sensação de ter visto um episódio um pouco mais comprido e especialmente ruim do “Vai Que Cola” menos Paulo Gustavo.

A única coisa que me impede de dar uma nota ainda menor é o fato de que André Mattos é engraçado só de abrir sua boca e eu, além de ser meio imbecil, era louco para participar da Porta dos Desesperados do Sergio Mallandro quando criança. E, puta que o pariu, o Sérgio Mallandro está neste filme! E faz uma versão pocket da Porta dos Desesperados! Ele também grita Ráááá na cara dela em algum momento, mas nada de ié ié ou glu glu, o que pode ser interpretado como uma falha imperdoável de roteiro. Ou não.

Isso ser o ponto alto do filme acho que é indicativo de qual será a nota…

 

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