O Festival de Berlim terminou ontem e participar dele foi uma excelente experiência. Primeiramente, é um dos festivais de cinema mais organizados que existem (na Alemanha, né?). O público pode comprar ingressos pela internet, nas centrais de ingresso e também nos próprios cinemas nos dias de exibição. Além disso, há um esquema especial para que as últimas sessões de um filme sejam as primeiras a serem vendidas – assim, quem quer ver o filme mas não tem tanta pressa assim já garante logo seu ingresso.

A cidade fica toda tomada por cartazes/propagandas do festival – esse ano contando com seu urso fofo em diferentes situações – e também dos filmes na programação. No inverno congelante de Berlim, a movimentação constante de público, organizadores e artistas aquece a cidade. Outra coisa bem legal é a aproximação que os espectadores podem ter dos artistas, geralmente com sessões de entrevista após as exibições.

Dos filmes que assisti, destaco quatro obras que podem interessar ao público brasileiro, que, para finalizar, descrevo abaixo:

– VAZANTE: primeiro filme de Daniela Thomas como diretora solo (seus outros filmes eram trabalhos de co-direção com Walter Salles), é um trabalho denso sobre a relação entre senhores e escravos no Brasil do século XIX. A fotografia em preto-e-branco é um dos destaques. Na entrevista ao final, a diretora comentou sobre a influência de Gilberto Freyre na obra.

– COMO NOSSOS PAIS: Laís Bodanzky (“Bicho de Sete Cabeças”) dirige um drama familiar que tem como foco a mulher contemporânea. Apesar de um discurso feminista um tanto superficial, o filme tem boas atuações, especialmente uma Clarisse Abujamra avassaladora.

– UNA MUJER FANTÁSTICA: Mais um filme que ilustra a força do atual cinema chileno. Sebastian Lelio (“Gloria”) narra o drama de uma mulher trans depois da morte de seu parceiro. A protagonista, Daniela Vega, em seu primeiro filme, ilustra com perfeição a dor e as humilhações pelas quais passa a personagem ao ter que lidar com o luto e o preconceito.

– CALL ME BY YOUR NAME: Luca Guadagnino (“Eu sou o Amor” e “A Piscina”) dirige mais uma obra-prima, forte candidato a melhor filme do ano. Contando a história do amor entre um adolescente (Timothée Chalamet, arrasador) e um estudante universitário (Armie Hammer, excelente), o diretor alcança níveis de sensibilidade e naturalidade raramente alcançados no cinema queer. A cena do pêssego já nasceu clássica, e a sequência final é uma das coisas mais lindas e tocantes do cinema recente.

Sugestões para você: