Em 2004, a música “Toxic” de Britney Spears era hit nas rádios por aí. Assim como tantas outras febres dos anos 00’s – uniforme colegial (mas que porra?), piercing no umbigo, a cor magenta pra absolutamente qualquer coisa, glitter, cintura baixa -, essa é uma das coisas que, confesso, faz parte da minha memória. E é em meio a essa enxurrada de breguices (só digite “2004 trends” no Google que você me entenderá) que “As Branquelas” abre terreno e se consolida como MARCO dentre as comédias vergonha-alheia dessa linda era. Aqui vai mais uma da série guilty pleasures cinematográficos….

Kevin (Shawn Wayans) e Marcus (Marlon Wayans) são agentes do FBI que tentam seu melhor, o que não necessariamente significa muito, para que tenham sucesso nas missões que lhes são dadas. No geral, a dupla falha miseravelmente, em especial pelo péssimo hábito de seguir os planos sem pé nem cabeça de Kevin. Até que surge a missão que pode fazer a moral dos rapazes ser renovada aos olhos do chefe: escoltar duas branquelas ricas que estão na mira de um sequestrador. Ufa, essa é fácil, garotos. Não?

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Squeeeeeeze me?

NÃO! É CLARO QUE NÃO!

Durante o trajeto, as ladies tem a cara pranchada num acidente de carro, o que faz com que os níveis de frescura das madames sejam atingidos e os machucados as impeçam de sair de casa. “E agora, brother, o que a gente faz?!”, Kevin pensa.  Opções:

1) Compra uns band-aids;

2)Passa uma maquiagem nas moças;

3)Espera sarar, afinal o corpo humano é FODA;

4) CHAMA UM SQUAD ESPECIALIZADO EM DISFARCES E SE TRANSFORMA NUMA MINA BRANQUELA POR ALGUNS DIAS.

Essa resposta é óbvia, não é? É CLARO que é o número 4. E lá vão os agentes sob o perfeito disfarce montado.

Esse filme é PRIMOROSO em diversos aspectos. Primeiro, a zoação em cima dos socialites e seus, literalmente, “white people problems” (explícito em “These starving kids in Africa make me so sad. They don’t even have to try to be skinny!”). Apesar de ser uma comédia pastelão, o roteiro dessa obra prima do segundo milênio vem todo carregado de falas típicas daqueles tipinhos nojentos com grana no bolso (burgueses safados!), o que a torna hilária. Além disso, ver os malucos, originalmente negros e homens, tentando se adequar àquelas personagens, brancas e mulheres, é sensacional. Como, por exemplo, na cena em que os rapazes vão fazer compras e sentem na pele, dolorosamente na verdade, que porcaria de roupas desconfortáveis que a gente que é mulher usa.

Dentre as tomadas de choque de realidade entre a ginga dos caras e a peruice das minas, a que merece glorificação de pé e total destaque é a clássica no carro. É quando começa a tocar a música “A Thousand Miles”, uma bem girly e que, obviamente, eles não fazem ideia de como cantar. E confesso que eu também não. Daí, logo depois toca 50 cent e vocês já imaginam como foi o coro dos caras mandando as rimas tudo, certo?

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We’re the realest niggaaaaaa, 50 cent, B.I.G, ma niggaaaa…

Não é possível falar dos pontos cômicos desse filme sem citar o fato de que NINGUÉM se liga no disfarce de araque dos malucos. Isso tempera ainda mais o humor do filme, pelo fato de ser algo escrotizado – eles são mais altos, fortes e totalmente sem jeito em relação às branquelas originais. Mas todo mundo ali é tão burro, como o filme legitima repetidamente sempre que dá, que realmente esse “detalhe” não existe. A ponto de um bacana, Latrell (Terry Crews), se interessar por uma das garotas e ficar caidinho o filme todo por ela. Mesmo quando eles deixam escapar trejeitos e gírias da personalidade deles mesmos, isso é de alguma forma enquadrado no contexto. Brilhantismo atrás de brilhantismo, parceiro.

“As Branquelas” não seria produzido hoje em dia e não vou me aprofundar nas milhares razões aqui do porquê – que vão das moralistas às metidas a cultzão. O fato é que só um ambiente sem noção e bobalhão como os anos 00’s, uma verdadeira era de filmes comédia patética (“Vovozona”, “Todo Mundo em Pânico” e por aí vai…) e de péssimo gosto pra moda poderia produzir tal produto. Vale ressaltar o PÉSSIMO gosto pra moda. Muito ruim mesmo. É vergonha alheia do início ao fim, dudes. E é vergonha alheia da melhor qualidade. Deliciem-se!

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“OMG, I’m gonna have a BF!” (aka: bitch fit)

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