Olá, senhores. Mais uma vez nos encontramos para falar do que? Aliens… mas não sobre os aliens que possuem um problema com a Sigourney Weaver, mas de um alien bonzinho, gente boa, camarada e com grande futuro na área da proctologia.

Escrevo isso dia 20/03, véspera do lançamento de Mass Effect: Andromeda, jogo que aborda a integração dos seres humanos com outras raças da nossa galáxia e, agora, com nossa galáxia vizinha. Uma das coisas que sempre observei nessa franquia é o físico dos seres de outros planetas. A maioria com formato humanoide (que parece bem funcional) e outros não… o que me deixava pensando “como a seleção natural favoreceu a esses seres?” (sim, penso em evolução enquanto jogo). É o caso do nosso amigo ET, que tem sua anatomia pouco prática, pelo menos para o nosso ambiente. Qual é a função de se ter dedos enormes que brilham na ponta e mal conseguem segurar uma ferramenta,  pescoços que esticam mais que o comprimento do corpo e as pernas que são 15% do tamanho dos braços? No mínimo eles são uma experiência genética… não há como um ser desses sobreviver num meio selvagem.

Viva Lamarck e foda-se Darwin.

Outro ponto que a diretoria do Metafictions discutiu bastante foi a vestimenta desses seres, no caso a falta de uma. Além do ET hoje, temos inúmeros outros exemplos de filmes nos quais os Aliens estão sempre pelados aqui na Terra. Por qual motivo isso acontece? Seria a Terra um resort para nudistas na Via Láctea? Deixemos este tema para ser explorado em outro momento e vamos à película.

O longa começa com uma nave pousada em algum lugar da Califórnia, em uma bela floresta temperada. As cenas iniciais dão a entender que os ETs são botânicos ou hippies, uma vez que estão pelados andando pela floresta e cuidando de cogumelos. Humanos estão indo ao encontro da nave, pois como você pode ver na imagem abaixo, ela chama pouca atenção. Os ETs metem o pé, deixando um dos seus para trás. Assim temos a premissa do nosso filme. Uma fusão do Esqueceram de Mim com alienígenas (vale lembrar que esse filme foi lançado perto do Natal).

Na moral… como isso ajuda a passar despercebidos?

Nosso amigo ET vai procurar em uma cidade próxima por abrigo e alimentos e assim ele conhece Elliot (Henry Thomas), uma criança chata pra caralho com 2 irmãos muito maneiros. Após o ET ser atraído com balinhas para o quarto de Elliot (só faltou a van branca… pera! Ela aparece no final do filme!) começa uma relação de amizade e conexão psíquica entre os 2. Em diversas cenas quando o ET sente algo, o guri também sente, protagonizando bons momentos engraçados para rir em família, como o 1º pileque de um guri de 12 anos, a tentativa de libertar todas as rãs que seriam dissecadas ainda vivas na escola e a morte por hipotermia que aparece ao final do filme (ops… spoiler).

A parte mais importante do filme ocorre quando Elliot, uma criança humana, e o ET, um hippie nudista alien, fazem algo em minutos que os heptapods e a doutora Louise Banks de A Chegada levaram meses para conseguir. Eles estabelecem comunicação. Nosso amigo ET está com larica e quer ir pra casa. Suas palavras deixam isso muito claro “ET. Telefone. Minha Casa”, mostrando que a onda dos cogumelos ainda não havia passado 100%.

Após montar um comunicador intergaláctico com brinquedos e um cabide de roupa, nosso amigo ET consegue se comunicar e recebe a mensagem (não sei como) que eles se lembraram do seu companheiro e estão voltando para resgatá-lo. Obviamente que o governo consegue pegar o ET, que estava na sarjeta todo cagado e desorientado (deve ter achado algum cogumelo e deu uma badtrip). Enquanto ele está agonizando com hipotermia, Elliot está ao seu lado morrendo também. A conexão entre eles é cortada e o nosso amiguinho morre… 🙁

Mas aqui é um filme de família natalino, então poucos momentos depois o ET volta a vida (provavelmente devido à proximidade dos seus semelhantes e a conexão com eles) e Elliot, seu irmão mais velho e amigos precisam levá-lo ao local do resgate.

A fuga na bicicleta é algo lindo e icônico no cinema, especialmente com a trilha sonora espetacular de John Williams, e culmina com o ET fazendo todos levitarem com o seu conhecimento da força. Pera, não falei? O ET conhece a força e nosso amigo verdinho Yoda. Fica no ar se ele é um Jedi ou não, mas ele possui grande conhecimento da força pois consegue manipular a vida, ressuscitando seres mortos (como a flor no vaso que aparece inúmeras vezes). Veja nas fotos abaixo.

ETs no congresso galático de Star Wars, putos da vida.

ET, debaixo do pano branco, reconhecendo mestre Yoda.

O filme termina com a despedida de cortar o coração entre o ET e a família de Elliot. Ao dar adeus ao pentelho com qual estabeleceu uma ligação profunda, ele solta um sorrisinho maroto, abraça bem apertado esfregando a cabeça no cangote, mostra o dedo pro moleque (que brilha na ponta) e fala “estarei aqui mesmo”… dando a entender que a década de 80 realmente não conhecia limites. Saudades desses filmes PG 13 e livre com conteúdo adulto.

ET utilizando a força enquanto contemplamos a Lua caindo na Terra.

Brincadeiras à parte, Spielberg nos presenteia com um belo filme, protagonizado por um ser muito carismático numa década que os aliens eram representados como seres malignos e/ou bestiais. Vale mencionar que nunca mais vi o Henry Thomas atuando nas décadas seguintes, até que o reconheci em Gangues de Nova Iorque, me levando a perceber que ele não fez falta nenhuma. Drew Barrymore também está no longa (é a irmã mais nova de Elliot) com uma participação bem discreta, mas seu destino foi o extremo oposto do seu “irmão”, atuando em diversos blockbusters, inclusive está em uma nova série do Netflix (Santa Clarita Diet), super inteirona.

Reveja o longa no Netflix (DUBLADO, por favor) e sinta a nostalgia dessa década perdida.

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