Os anos 80. Que década majestosa para a arte, em especial o cinema. Em 1982 em específico, inúmeros filmes que marcaram uma geração foram lançados. Só para você ter um gostinho, saíram Conan, o Bárbaro (provavelmente como Gustavo, o viril, se imagina olhando em um espelho), Rambo – Programado para Matar, E.T. O Extraterrestre (que já apareceu aqui no Nostalgia), Blade Runner – o Caçador de Androides, Poltergeist – o Fenômeno (um dos filmes responsáveis por me fazer cagar de medo quando menor) e, meus queridos, O Enigma de Outro Mundo, homenageado do Nostalgia de hoje.

Essa bela película preenche todos os pré-requisitos para estar nesse quadro. É sobre alien, é dos anos 80, tem o Kurt Russell, possui belos efeitos visuais práticos e eu que fiquei responsável por fazer (também nasci em 82, olha que ano foda). Lembro de ter visto esse filme ainda muito moleque, com menos de 10 anos, provando de uma vez por todas que classificação etária serve, mas só se você tiver menos da metade da indicada e se você tiver nascido depois de 1992.

O longa começa com a cena de uma nave espacial caindo, deixando claro que o filme não vai te punhetar até você descobrir que é sobre aliens. Somos avisados que estamos na Antártida, no inverno (o que é um puta erro pois temos luz do sol), numa estação de pesquisa. Logo em seguida temos um helicóptero norueguês com um dos tripulantes tentando acertar um tiro num husky siberiano ou cão de raça similar. Podemos ver que o cara atira mal pra caralho. Embora eu nunca tenha andado de helicóptero ou atirado, muito menos os dois ao mesmo tempo, o atirador teve inúmeras chances, inclusive depois de pousar e com o cachorro parado. Esse zarolha do caralho só consegue acertar, sem querer, um pesquisador da estação americana, o que força os demais pesquisadores americanos a matar o norueguês.

“Olá. Viemos em paz com nossas armas.”

E o cachorro? Foda-se… ninguém quer saber o motivo dele estar perseguindo um cão pela neve para matá-lo. Deve ser apenas um cachorro normal. No entanto, de onde vieram esses noruegueses? Eles estavam surtados por isolamento? Para responder a isso, nossos amigos americanos resolvem ir até a estação norueguesa para conferir.

Ao chegar à base, com o próprio helicóptero (já que o helicóptero dos noruegueses explodiu por causa de uma granada mal jogada), os ianques encontram algo assustador. Tudo destruído e congelado. Um dos pesquisadores nórdicos sentado em uma cadeira com sinais claros de suicídio. Que caralhos aconteceu aqui? Para descobrir, documentos e fitas de vídeo são confiscados para análise. Ao checar o exterior, eles acham algo todo desfigurado e queimado. Ora, por que não levar de volta para a nossa própria estação, não?

Ao voltarem, exames são feitos na “coisa” (yeah!) e algo muito errado é descoberto, algo que me faria arriscar ficar no frio do caralho do que dentro da estação com essa porra. Aquilo era um ser amorfo com órgãos humanos. Ou algo está muito errado ou esses noruegueses estavam fazendo experiências genéticas (o que seria errado também, mas não no nível “caralho, que porra é essa?”)

Porra, E O CACHORRO? Estava esse tempo todo dando um rolé pela estação americana. Até que alguém, sabiamente, fala para prendê-lo no canil. Momentos depois, escutamos latidos e todos vão conferir o que está acontecendo. Ao chegarem ao canil temos a visão da besta pela 1ª vez. A coisa mais perturbadora que vi enquanto criança, sem sombra de dúvida. Especialmente por envolver cachorros. Que ser macabro.

Lembro de tremer vendo isso. Medo genuíno.

Após ter recebido mais tiros do que o Zé Pequeno, o ser não morre e consegue escapar, deixando para trás uma massa vermelha que estava se contorcendo e que foi incendiada chegando ao óbito. A autopsia dessa massa revela que o ser imita a fisiologia de outros seres com qual tem contato. Só o fogo pode matá-lo aparentemente. Se o ser pode imitar um cachorro, por que não um ser humano? Fudeu… começa a paranoia, todo mundo é um alien em potencial.

Para entender de onde esse ser veio, eles começam a assistir um dos vídeos da estação dos noruegueses. Algumas cenas mostram os caras tentando entrar em algo debaixo do gelo. Por que não checar, né? (esse filme tem um histórico de decisões mal tomadas bem elevado). Ao chegarem lá eles percebem que os noruegueses estavam tentando entrar em uma nave espacial (que aparentemente estava há 100 mil anos ali já, segundo a análise feita no gelo em volta da nave).

“Daqui que veio o aquela coisa maligna” “Que bom que levamos o corpo para nossa estação.”

Muita paranoia incubada começa a tomar lugar de volta à estação, até que alguém dá de cara com um ser sendo formado a partir de um dos pesquisadores. O que era um medo agora é uma certeza. Ele é incinerado e medidas precisam ser tomadas. Na discussão de quem faz o que ou quem é o que, um dos membros da equipe some, vindo a ser achado destruindo a porra toda de comunicação da estação, sem antes destruir o helicóptero e trator (únicos meios de transporte). Por que ele fez isso? Pois ele fez simulações e viu que a humanidade seria extinta se isso chegasse ao mundo civilizado.

Algumas merdas começam a acontecer, pessoas morrendo e eu não entrarei no mérito, mas vale mencionar talvez a cena mais icônica do cinema de horror da história, a cena do desfibrilador. Provável que, se eu fosse médico em plantão de emergência, eu pensasse duas vezes antes de desfibrilar alguém. Teria que testar o sangue antes com um fio de cobre superaquecido. Falando nisso, essa é outra cena foda demais. Pessoas suspeitas de serem aliens, amarradas em cadeiras e tendo seu sangue testado. Ficamos tão tensos quanto os envolvidos para saber se alguém, e quem, é um alien.

CLEAR! Oh… shit.

Poucos sobram até que os sobreviventes aceitam que mais vale morrer e salvar a humanidade do que tentar se salvar e ser um potencial anticristo. O final é um embate glorioso do Kurt Russel e a Coisa.

Esse longa ganhou grande destaque pelos seus efeitos visuais práticos (Roy Arbogast e Hal Bigger) e maquiagem (Lance Anderson e Rob Bottin) e a direção magistral de John Carpenter (que fez inúmeros clássicos com Kurt Russel). Eles conseguem fazer em uma locação restrita um grande filme de ficção e ação. Vale a pena ser conferido. Confira a regravação também, que foi muito decente.

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