Esse ano, o clássico Predador completa 30 anos e nós do MetaFictions resolvemos matar a saudade e sentir aquela nostalgia escolhendo o longa para o quadro de hoje. E, assim como no filme, não ficarei de muita punhetação numa introdução gigantesca. Vamos ao que interessa.

John McTiernan dirige o longa e deixa sua marca registrada, uma trama simples posta exclusivamente para ter boas cenas de ação. Caso esse nome não soe familiar, após Predador, ele dirigiu grandes clássicos do final dos anos 80, década de 90 e início dos 2000, como Duro de MatarCaçada ao Outubro Vermelho (meu favorito dele), O Último Grande HeróiO 13º Guerreiro e Violação de Conduta. Todos ótimos filmes de/com ação. Infelizmente ele tem estado inativo desde 2003.

Em Predador, logo de cara, vemos uma nave alienígena ejetando um pod em direção à Terra, fato esse que se assemelha muito com outro clássico que passou por aqui, O Enigma de Outro Mundo. Quão maravilhoso são os anos 80 por irem direto ao ponto. “Esse é um filme sobre aliens chacinando todo mundo.”, bradava logo a primeira cena.

Após essa breve situação vemos Dutch (Arnold Schwarzenegger), das forças especiais de resgate, chegando ao que parece ser um conflito em algum local perto da Linha do Equador, que descobrimos mais para frente que é Guatemala. Lá ele é “brifado” sobre o resgate de um importante político que se acredita estar nas mãos da guerrilha após a queda de seu helicóptero, ou, como o Arnold Schwarzenegger costuma falar, “choppa”.

Ao questionar o motivo de sua convocação, nós conhecemos Dillon (Carl Weathers), que o indicou para essa missão. Aí temos o aperto de mãos que mais chegou perto de destruir a humanidade pela energia envolvida de todos os tempos.

Apolo Doutrinador e o Exterminador.

E lá vamos nós ao resgate. Vemos toda a trupe naquelas cenas de “olha como somos fodas e durões” na bela luz vermelha dentro dos choppas que se dirigem ao ponto designado da missão. Mac (Bill Duke), Blain (Jesse Ventura, ex-governador de Montana), Billy (Sonny Landham), Poncho (Richard Chaves) e Hawkins (Shane Black) são a encarnação da macheza e testosterona. Temos uma grande variedade étnica e cultural, incluindo um índio americano. Se temos um índio na 1ª Guerra Mundial ajudando a Mulher Maravilha, por que não na América Central? Mais um indicativo que estamos nos anos 80 é a marca Sanyo do rádio tocando uma fita k7 durante o voo.

Eles pousam e começam a rastrear pelo paradeiro dos tripulantes do choppa até que o mestre cherokee acha corpos que carregam uma das marcas registradas do nosso amigo espacial (e especial), eles estão pendurados pelos pés e com a pele totalmente esfolada.

Pelo visto o Predador é muito fã do Hellraiser.

Nesse meio tempo temos pela 1ª vez a visão do Predador, com a pior tecnologia do universo aparentemente. Uma visão térmica que ele utiliza numa floresta equatorial em todos os momentos, mas que na época eu achava super prática. No entanto, a sua camuflagem transparente é de fato um belo equipamento. No filme Predador 2 vemos uma arsenal muito maior do alien, mas que o Predador de 1987 não utilizou… ele é raiz. Será que no próximo filme do Predador, que estreia ano que vem, veremos mais aparatos tecnológicos?

Eles encontram o local do cativeiro e começa o tiro, porrada e bomba. A equipe americana extermina a guerrilha sem levar um tiro de raspão. 8 pessoas matam pelo menos umas 50. Só para ser justo, Blain leva um tiro, mas ele não sangra. Pois…

YEAH!

Depois de dizimar com a guerrilha, Dutch descobre que foi usado por Dillon para realizar um trabalho sujo, não de resgate, mas para eliminar uma ameaça soviética. Após estabelecer quão fodões eles são é que realmente começa o filme, com o Predador indo atrás de suas cabeças, literalmente, enquanto eles se encaminham para o ponto de extração.

Nosso amigo cherokee guia a equipe pela mata fechada, até porque seus ancestrais tiveram muita “experiência” em matas tropicais, assim como o exército americano no sudeste asiático… sabem tudo. Billy é o catalisador do filme, mostrando que apenas a sabedoria dos povos nativos (mesmo que não seja da mesma área) é a única capaz de rivalizar com o instinto e equipamentos do Predador.

Com a 1ª morte, de Hawkins, começa uma sucessão de cenas clássicas que vão imortalizar o filme no imaginário popular. Não ficarei aqui falando sobre cada uma delas, mas algumas são obrigatórias. Como o esquadrão de fuzilamento mandando bala pra tudo que é lugar após a morte de Blain. Desmatando a floresta mais do que um latifundiário pecuarista na América Latina.

Mais tiros foram disparados aqui do que em toda guerra do Vietnã.

A morte do Apolo Doutrinador sendo empalado também é muito marcante. Porém, nada mais icônico que Dutch se preparando para o combate corpo a corpo com o Predador como um verdadeiro Viet Cong. Cobrindo-se de lama, construindo um arco e flecha e preparando armadilhas mortais, como a do tronco que leva ao óbito nosso amiguinho alien.

Vale mencionar o Predador limpando um crânio para adicionar à sua coleção. Assim como ele retirando sua máscara e abrindo mão de armas de fogo e alta tecnologia para realizar o confronto, como um verdadeiro guerreiro guiado pela honra.

Eu sei que mais da metade de quem tá lendo o artigo não faz ideia onde fica a Guatemala.

Ele é tão focado no seu objetivo, que quando está a beira da morte aciona uma bomba de grande impacto e começa a rir que nem o vilão da Disney… o ato final para tentar acabar com seu inimigo.

Dutch consegue escapar e é resgato pelo choppa. Com esse final sem sal nenhum e sem nenhuma explicação, o que de fato é louvável, o filme Predador cria uma legião de fãs, mas que nunca realmente recebeu uma boa sequência com Predador 2, Predadores e os spinoffs com o Alien.

Ficamos no aguardo do próximo Predador, em alguma zona de guerra atual e que envolva russos. Eu pagaria para ver.

Blain, Hawkins, Dutch, Mac, Dillon, Billy, Poncho e o Predador ao lado com sua camuflagem.

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