Como acho que já comentei aqui nesse site em algum momento, boa parte da minha infância (e aí minha mãe vai negar até a morte por orgulho) eu passei na casa de minha vovó. Basicamente de segunda à sexta-feira, e às vezes até sábados, minha rotina era essa: acordar com café na cama (obrigada, vó), assistir Bom dia & Cia (obrigada, vó), tomar banho (quando tava frio eu nem tomava mesmo e FODA-SE, a não ser que houvesse negociação “pé-pé”), comer muito bem, ir pra escola, voltar, comer muito bem de novo (em especial quando tinha batata frita caseira, obrigada, vó) e assistir novela. A última parte, notem, não agradeço, pois novela é algo que só fazia com minha avó mesmo. Ah, e caso vocês estejam se perguntando que caralhos é “pé-pé” (até por que meu querido editor não ia deixar essa passar sem uma explicação): forma de transporte onde eu, a porca, apoiava meus pés nos da minha avó, a santa, e iamos até o banheiro – tipo um carrinho de mão só que de pé? Algo assim.

Boa parte do meu tempo livre era investido em assistir televisão. E, é claro, a Sessão da Tarde era minha fiel companheira. Blerg, se tem um Deus nesse mundo, é essa a hora que eu peço perdão… E foi na Sessão da Tarde que assisti o que por muito descreveria como “um filme que tem desenho também, só que não é aquele que eles jogam basquete”. É visível que minha memória nunca foi grandes merdas e o filme que eu me referia era o Uma Cilada para Roger Rabbit, um clássico do final dos anos 80 mas que reverberava ainda nos anos 2000 para minha sorte. É possível que eu tenha assistido doente (eu ficava muito doente, tadinha), no feriado ou só em um dia que faltei aula mesmo. Hoje, amiguinhos, falarei de um filme mais velho que eu (o que não é muito referencial), mas que me é muito significativo pelas razões bobas possíveis. O filme é bom, no entanto. Tá com 7,7 no IMDB.

Esse detetive da pesada vai se meter em altas confusões ao lado de um coelho muito sapeca e de sua esposa ainda mais!

“Edinho” (Bob Hoskinsé um rabugento detetive meia boca que recebe a proposta de vender sua alma para o diabo por dinheiro. Não. Ele só é solicitado num caso de possível adultério como fotógrafo tendo que stalkear uma mulher. O corno da situação seria Roger Rabbit (na voz de Charles Fleischer), um coelhinho camarada que certamente faz uso de um pozinho da cor de sua pelagem. Ele é casado com a sedutora Jessica Rabbit (voz de Betsy Brantley), responsável pela minha descoberta sexual ainda quando eu não sabia o que era descoberta sexual. Falaremos disso mais a frente.

Num mundo do show business, traçando uma metalinguagem foda em relação a produção de desenhos animados, “desenhos” (toons) e humanos coexistem numa boa. Trabalham, interagem e outras coisitas mais. Os desenhos vivem, no entanto, na cidade de Toontown, pertencente ao dono da Acme Corporation. Isso, aquele cara que patrocina o infinito combate Coyote vs. Papa-léguas com bombas, armadilhas e… dispositivos que dão choquinho se escondidos na palma da mão. Eu já tive um desses, inclusive, mas era do camelô de Vila Isabel mesmo, nada de ACME.

Jessica Coelho e o Mr. Acme galudão

Até que esse féla morre. E o coelhinho da páscoa é enquadrado como suspeito. Como se vê na foto, ela dava mole pro cumpadre e o detetive tira fotos em momentos suspeitos dos dois. E aí vocês já sabem o que acontece pois é um roteiro previsível, sem plotwistada e simples. Mas o que faz desse filme maravilhoso?! Pra começar, Jessica (não a Jones, que também é de tirar o chapéu).

Na época que eu vi o filme eu sinceramente não entendi porra nenhuma, muito por que devia tá aí doente, semianalfabeta e nem aí pra história. O motivo de eu continuar com os olhos na TV era uma personagem de desenho ruiva, gostosa, sexy pra caralho e que por um motivo desconhecido por mim me fazia ficar sem piscar. Ou fazia piscar bastante… Mais de 10 anos depois, quando assisti ao filme vi que ela era uma bela filha da puta, ora veja, dando mole pra qualquer ser com falo, fazendo eu ter pena do pobre corno manso que é o Rogerinho. Continua inegável, contudo, o quão sensual é a personagem e o espaço aí que tem na minha memória.

Aaaaah, Jessiquinha furacão!

Sendo mais branda agora e tirando a putaria, o fato de um filme ter desenho animado dentro é o que também me conquistou e fez marcar com nostalgia em peso. Com a imaginação ainda fresca de criança, sem podas, eu achava incrível e ficava imaginando um mundo onde meus desenhos favoritos co-habitassem! Imaginava ir à padaria e cruzar com o Coragem e a Muriel, putos na fila do pão, e com as Meninas Super Poderosas tomando um cafezinho antes de salvar o mundo. Awn… é, eu sei.

A única forma deste filme perder a genialidade é se Robert Zemeckis, diretor do longa, produzisse uma sequência. O mesmo diretor de “Forrest Gump” e “De Volta para o Futuro” podia pensar no caso de uma nova história em que os personagens já estejam caquéticos e obsoletos pelos novos desenhos da era pós-moderna. Mais uma vez, ainda muito moleca (não deixei de gostar de desenho não senhor), sou flagrada imaginando um universo aí que una meus programas preferidos. Não seria uma má ideia. Zemeckis, vê se me nota.

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