Lá se vão 12 anos desde que os restos mortais de Samara (Daveigh Chase e Kelly Stables) foram encontrados no fundo de um poço. Nesse hiato entre “O Chamado 2” e sua sequência, muitas coisas mudaram na tecnologia e comunicação. Como isso impactaria a mitologia do filme? Fui ao cinema descobrir e reviver memórias e sentimentos há muito esquecidos.

O ambiente não podia ser mais propício para a experiência ser completa, praticamente uma viagem no tempo. Peguei a sessão que veria em 2005, já que não possuía carro na época, perto das 21h (hoje em dia prefiro as que começam 00h). Assim como há 12 anos neste horário em um shopping, a sessão estava lotada de adolescentes. A cada segundo de filme eu lembrava o porquê de ter odiado tanto a minha adolescência… ter que conviver com esses, por falta de palavreado melhor, ANIMAIS foi difícil. Não paravam de falar e rir a porra do filme todo, gente com pé nas cadeiras da frente, gente mexendo no celular… uma selvageria e falta de respeito com os demais.

Mas enfim, Javier Gutiérrez (diretor) tinha um desafio grande. Apresentar para esses animais uma franquia que não teve grande impacto na cultura pop a nível de ser clássico com personagens memoráveis e resgatar para a audiência antiga o teor do “Chamado”, que é baseado em tecnologias muito antigas até mesmo para 2005.

Fazer a transição de um mundo analógico para um digital, sendo que uma das partes centrais da franquia é a cópia do famigerado vídeo (que te salva de morrer caso alguém a veja), impacta diretamente e profundamente na dinâmica do enredo. Um CTRL+C e CTRL+V agora substituem a cópia da fita de vídeo cassete, ver e ser distribuído por smartphones e laptops substituíram passar a fita de mão em mão e assim vai…

Essa transição foi feita de forma bem interessante logo no início do longa e, certamente, a melhor cena do filme envolve agora uma TV de LCD e não uma de tubo.

O filme parte do básico… Júlia (Matilda Lutz) e seu namorado Holt (Alex Roe) precisam resolver outro mistério envolvendo o vídeo fatal que te mata em seven days que foi adquirido por um professor da faculdade. E, meu amigo… que porra foi essa? São 3 filmes. Um em cada ato.

Gabriel (Johnny Galecki), professor da universidade, topa com a fita numa feira de artigos usados e descobre seu “poder”. Partindo disso ele cria praticamente um culto/estudo do assunto com seus alunos e abre possibilidades interessantes. Confesso que, por um instante bem curto, achei que veria algo original. Sem querer entrar em detalhes sobre a trama, o filme despiroca bizarramente, abandonando a ideia original, e vira, ao mesmo tempo, um reboot e “origens”. Tudo isso é emendado com uma série de coincidências absurdas e muitas vezes sem sentido.

Além do tempo curto para explicar o que aconteceu e retrabalhar/adaptar os conceitos, o filme também tenta estabelecer espaço para continuações. Infelizmente isso deixou a película desagradável e incômoda (como os adolescentes atrás de mim), levando a um final forçado.

O longa careceu de nomes de peso, como a Naomi Watts dos 2 primeiros da franquia. Apesar de Vincent D’Onofrio (série do Demolidor e Jurassic World) fazer parte com um personagem importante, sua presença e atuação foram esquecíveis. Seu roteiro é confuso e tenta abraçar o mundo. Já dizia Dona Helena, minha falecida e querida avó: “Quem muito quer, pouco conquista”.

Resultado do dia:

Nostalgia de uma década atrás, ok. Adolescentes de uma década atrás, ok. Filme de uma década atrás, not ok. O Chamado 3 é um filme medonho e não no bom sentido.

 

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