Os toques na película escura. Touchscreen cruel que vicia tal qual mel. São tempos estranhos, onde somos cobaias de tecnologias “cabrestianas”. Esse medo da escravização do homem por sua máquina, por seus manufaturados, sempre foi explorado na ficção científica. 

Todavia, novos tempos pedem um novo tipo de ficção científica: a especulativa. Onde os temas e atos retratados são factíveis de acontecer em nossa realidade. A série “Black Mirror” é provavelmente o melhor exemplo, cheia de conexões com o mundo atual em suas 3 temporadas encantando e assombrando o mundo numa mistura enfadonha de medo e horror. 

O Círculo tenta beber dessa fonte. Com seu Steve Jobs perverso, vivido por Tom Hanks, sua corporação misteriosa que paga de descolada, lembrando a Google, e a jornada da menina inocente que acaba sendo levada pouco a pouco por essa espiral. 

Não se preste a isso, Tom Hanks.

A película  poderia até servir como base de um razoável episódio de “Black Mirror”, mas, como filme, esfacela-se nas próprias ambições. O carisma dos personagens é pífio, a trama dá voltas e voltas, não levando a lugar nenhum. Falta a O Círculo consistência e vontade para ser mais “1984” do que “Black Mirror”. 

Muda de semblante, Emma.

Emma Watson, por sua vez, tem atuação patética, oca e opaca, o que me decepcionou demais. Tudo bem que, com um diretor incapaz de aproveitar Tom Hanks e dar o mínimo de ritmo a um filme, tudo fica mais difícil. 

Ao sair da sessão cheguei à uma constatação: sou a favor de super vigilância em Hollywood, para que dessa forma não se produzam mais filmes que só fazem a indústria cinematografia andar em círculos.

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