Não, não é “O Poderoso Chefão” versão infantil. Sim, é uma tradução brilhante e exclusiva pro português. Inclusive, devo fazer a menção honrosa pelo filme ter melhor nome traduzido do que original. Apesar de durante história não haver referência ao clássico, essa foi uma sacada de mestre.

“O Poderoso Chefinho” (porra, que título bom!) é a versão estendida de um pensamento senso comum: bebês dominam o mundo. Sim, dominam – pelo menos o mundinho de quem convive com eles. É ridículo o poder que um serzinho que não fala, caga nas calças e chora pra cacete tem sobre seu arredor. Incontáveis foram as vezes que me peguei sucumbindo as vontades de nenenzinhos perto de mim pelo fato deles serem…. nenéns! Não é preciso argumento pra legitimar isso. Uma torneirinha de berreiro aberta e pronto, tooooda a atenção, ainda que seja pra uma bronquinha. Fofos, gordinhos, macios, so fluffy I’m gonnas dieeeee“. É a partir deste FATO que a história se dá: bebês que fazem parte de uma corporação, usam ternos, batem metas e são, na verdade, adultinhos no corpo de delicinhas engatinhantes. Diabolicamente capitalistas, calculistas e graciosos!

Eu sou o verdadeiro Messias dessa casa agora, manézinho. Ajoelhe-se!

O CEO da empresa, Chefinho, é “enviado” para a família de Tim, que tem uma imaginação fértil e começa a estabelecer teorias conspiratórias sobre a vinda do garotinho. É legal a forma que o filme escolhe tratar o assunto de como é a chegada de um irmãozinho sendo você filho único. Não tenho essa bagagem mas imagino que, inevitavelmente, seja algo que mexe com a criança pela quebra da costumeira exclusividade. Maximizado, deve ser tipo uma invasão de território mesmo. O Chefinho, poderoso por ser um bebê, manda e desmanda nos pais – aí vem a já estabelecida verdade absoluta – e Tim se sente de lado, recebe menos atenção e quer todo o amor dos pais ou uma divisão justa. Vendo as intenções do invasor, ele tenta denunciá-lo. Porém, ele não tem moral pela constante viagem (aka: LSD) na qual vive inserido e os pais não acreditam nesse papo torto.

Se não consegue vencer o inimigo, junte-se a ele, dizem por aí. E é isso que o moleque resolve fazer – afinal, o Chefinho quer mesmo é ser um fodão lá na empresa, ganhar uma promoção e picar a mula dali. Essa missão tá aí pra isso. Daí pro resto a Dream Works insere uma história meio maluca que envolve combater a popularidade de cachorrinhos (principal concorrência da empresa por sua fofura), partilhar amor, bebezices e criatividade infantil.

É medonho e ameaçador o semblante do inimigo. Cachorrinhos maldi… Aaaaaawwwnnnn!!! Porra!

O que carrega o filme é o quão engraçadinho o personagem do bebê é, adultinho e caricato. Imediatamente tracei um paralelo com o Stewie, personagem de Família da Pesada, que eu gosto pra caralho; acredito que o diretor tenha se inspirado no boca sujinha +18 da série. Ainda que, ÓBVIO, nada chegue no patamar dele. Até por que Stewie, além de toda a construção absurda que lhe é característica, tem sotaque britânico…

Ah, também tem “Blackbird”, a música dos Beatles, como coisa importante durante o filme. Achei um toque suuuuper gracinha, como o filme todo, e também é inserido bem à moda infantil – a música que os pais de Tim cantavam pra ele dormir. Fofíssimo. Eu não poderia deixar de fazer esse comentário, fã que sou…

No mais, o filme cumpre um papel bom como entretenimento inteligente, pra família, fofo e bem feitinho. Considerando ser da DreamWorks, que passa longe de ser meu estúdio preferido no gênero animação, o filme tem uma qualidade bem digna. Não é nenhuma revolução do século mas é sim agradável de ser ingerido e deliciado.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaawn.

Hahahahahahahha.

Leve uma quantidade considerável dessas duas onomatopeias no bolso.

 

 

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