Desde 2015, com a estreia da série do “Demolidor” na Netflix, o universo Marvel se expandiu para acomodar personagens queridos pelos fãs, mas que não achavam lugar nos longa metragens do estúdio. Com uma proposta ambiciosa, apresentando 4 títulos diferentes em 5 temporadas num período de 3 anos, a Netflix/Marvel criaram um cenário que permitiu a chegada da série cuja crítica você está lendo, Os Defensores.

Vale ressaltar que nem todos os títulos mantiveram o mesmo nível. O “Demolidor” iniciou de forma competente, apesar de não excepcional, cativando boa parte dos fãs e leigos nos quadrinhos. “Jessica Jones” veio logo a seguir, tendo seu ponto alto o vilão Kilgrave (o melhor de todo MCU), que carregou a série nas costas. A 2ª temporada do “Demolidor” levou a série para outro patamar de violência e qualidade, sendo de longe a melhor desse universo. Em “Luke Cage” começamos a ver problemas no horizonte. História truncada e muitos fillers (episódios para encher linguiça). Chegamos ao fundo do poço com o “Punho de Ferro”, com lutas muito mal coreografadas, história mal desenvolvida e pessimamente vendida. Só terminei de ver pois achei que precisaria para entender melhor Os Defensores.

Os Descolados.

E cá estamos! Todos esses heróis trouxeram de suas respectivas séries as qualidades e defeitos. Com apenas 8 episódios e com um elenco massivo, visto que cada herói usou do nepotismo para empregar os coadjuvantes das suas séries, temos uma obra bem enxuta e direta.

Nesta 1ª temporada vemos o que os líderes do Tentáculo (organização criminosa) querem, com quem e onde. Viver para sempre, Punho de Ferro e Nova Iorque, caso você se pergunte. Cabe aos nossos heróis impedir isso, a boa e velha luta de poucos indivíduos contra uma mega corporação criminosa.

A enfermeira de todos.

Como o vilão central é essa organização clandestina, apenas o Demolidor e o Punho de Ferro são essenciais para o entendimento da trama e isso se faz presente durante todo o desenrolar da série, alternando basicamente entre a bela atuação de Charlie Cox (Demolidor) e a péssima atuação de Finn Jones (Punho de Ferro). Luke Cage (Mike Colter) e Jessica Jones (Krysten Ritter) tapam as lacunas, servindo muito mais como alívios cômicos em certas ocasiões ou em cenas no qual mostram seus super-poderes, sempre sem saber ou acreditar no que está acontecendo.

Três grandes vilões disputam destaque no ranking da maldade do Tentáculo (no total de 5). Elektra (Elodie Yung), personagem central que aparece na 1ª cena do 1º episódio, como já esperávamos, mesmo com sua morte no fim da 2ª temporada do “Demolidor”. Madame Gao (Wai Ching Ho) que basicamente não falava nada e agora não cala a caralha da boca. E, por fim, Alexandra (Sigourney Weaver), a grande mentora de tudo, que busca prolongar sua vida usando todos como ferramenta.

Girl Power.

Apesar do enredo ser razoavelmente bem apresentado, ele ainda depende da burrice do Punho de Ferro para prosseguir, uma vez que ele é peça fundamental da trama. E acredite, você cansa rápido quando ele está em tela. Fica muito nítido o quão mal desenvolvido é o personagem e sua história quando o Demolidor está presente. Ele enfrentou a mesma organização e quando ele fala as mesmas coisas que o Punho de Ferro nós acreditamos e tudo parece muito crível e urgente.

No mínimo, se você assiste alguma das séries da Marvel, você quer ver porrada. As cenas de luta são muito bem dirigidas e atuadas, lembram bastante as do “Demolidor”. Estava curioso para ver como a série equilibraria a falta de perícia marcial da Jessica e do Luke com os demais. Tenha em mente que todos os inimigos são ninjas altamente treinados. Mal ou bem, mesmo que o Luke tenha passado muito tempo na prisão lutando, os ninjas não estão tentado currá-lo no banheiro. É uma lógica completamente diferente, embora o objetivo seja o mesmo: salvar seu rabo. A solução encontrada foi orientar todo figurante com arma de fogo a atirar SOMENTE nele, mostrando que ele está ali como escudo humano. Jessica bem que tentou, mas sua falta de aptidão marcial e poderes de grande relevância só permitiram que ela usasse uma única habilidade: beber o tempo todo sem cambalear.

Gustavo, Ryan e Rene. Jantar tradicional do Martinho.

Quase não há espaço para desenvolvimento dos personagens, especialmente dos coadjuvantes. O destaque fica com Colleen (Jessica Henwick), namoradinha que descabaçou a outra parte de ferro do “mão de vaga-lume”, Misty (Simone Missick), a policial que compactua com tudo que há de errado com os suspeitos dos mais variados crimes e Stick (Scott Glenn), “pai adotivo” e mentor do Demolidor, um sábio mestre das artes marciais. Não farei piada com pessoas portadoras de necessidades especiais.

Netflix ainda precisa remar muito para que Os Defensores atinja um grande patamar, mas ela está no caminho certo. Temos poucos momentos que não levam a nada, boas cenas de luta, muita violência (classificação de 18 anos) e boas surpresas durante o caminho. Quem sabe Kilgrave e o Justiceiro na próxima temporada? Ficaria de fato muito interessado.

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