“Lose? I don’t lose – I win! I win! I’m a lawyer, that’s my job, that’s what I do!”

Ahhhh… saudades da época em que Keanu Reeves era um bom advogado. Quando ele lançava aquele olhar vencedor sobre o júri. Sabe aquele olhar? Que ele faz 24h por dia e em todos os filmes? Esse mesmo. Infelizmente para o longa que estreia no Brasil essa semana, esse não é o caso. Faltou determinação (ou quem sabe um pai mais influente…).

Que olhar triste… derrotado… parece final de carreira no direito.

Para os mais novos, a citação que abre essa crítica é do belo filme Advogado do Diabo (1997), longa que fatalmente aparecerá aqui em algum dos nossos quadros. Empolgado pela minha nostalgia de 20 anos atrás e por ter visto John Wick 2 há pouco tempo, fui ao cinema contemplar o que eu achei que seria a fusão desses dois personagens em um advogado que faria declarações de explodir a cabeça.

Cena do Advogado do Diabo. Notem primeiramente que esse filho-da-puta não envelhece, posteriormente perceba a intensidade desse olhar… compare com a imagem acima.

O filme conta a história de um julgamento de um homicídio supostamente cometido pelo filho da vítima. Todas as evidências apontam para o réu, que se recusa a falar com seu advogado. Essa é a premissa, seu advogado (Ramsey – Keanu Reeves) precisa defendê-lo sem saber a sua versão da história. No entanto, tudo isso é uma estratégia do prodígio provável assassino (Mike – Gabriel Basso), que era um tarado pela profissão de seu pai, advogado, a ponto de inclusive aparecer no noticiário local ao resolver um delito sobre o assassinato de um gato da vizinha.

Os 20min iniciais até sustentam uma história interessante, mas o filme cai numa espiral de atuações ruins, roteiro horroroso e total falta de credibilidade e sentido jurídico (editor, favor dar sua opinião em relação ao que falarei sobre o tema. Obrigado.)

Jim Belushi, que interpreta o falecido Boone , é aquele pai caricato machistão que abusa de todos e tudo, especialmente de sua esposa, pois ele é quem sustenta a família… o famoso “Homem da casa”. Renée Zellweger (Loretta) é a mãe e esposa que aceita tudo o que ocorre no casamento para preservar seu filho, estilo de vida e, claro, coagida pelo medo. Mais cliché impossível… talvez se eles tivessem um labrador. Com esse enredo muito mal escrito temos atuações que parecem teatrais (com todo respeito ao meio). Os jurados, a promotoria, o juiz, as testemunhas… todos, fazendo caras e bocas para cada revelação.

“Vai falar mesmo não? É teu rabo e não o meu.”

Não sou advogado, mas se você é pego cometendo perjúrio sua declaração anterior ainda é válida? Se eu alego que tal coisa aconteceu comigo não sou obrigado a provar? Posso no meio do julgamento introduzir provas que tirei do bolso alegando que achei isso olhando a casa enquanto, convenientemente, ninguém mais estava por perto para validar? Enfim… isso deixava história cada vez menos crível.

Infelizmente não posso dar o spoiler do final do filme e te salvar dinheiro e tempo, mas meu amigo… que porra escrota… ainda bem que essa revelação ocorre no finalzinho do filme, pois realmente dá vontade de sair do cinema.

Acho que a única coisa positiva do longa é mostrar que todos mentem, sem exceção (confira o livro A Mais Pura Verdade sobre a desonestidade de Dan Ariely).

Muito triste ver Keanu Reeves sendo um advogado meia-boca. O que diria Al Pacino? Ah sim…

“Vanity, definitely my favorite sin!”

Nota do Editor: Apesar de ser advogado por formação, o editor é também escroto por vocação, razão pela qual ele prefere permanecer em silêncio.

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