Sempre existiu filme de super-herói. De tempos em tempos, remake de filme de super-herói. Atualmente, toda hora filme de super-herói. Está algo exaustivo já. Nem mesmo belíssimos atores, reconhecidamente de filmes mais alternativos, escapam (Michael Fassbender, Elizabeth Olsen, por exemplo). O esgotamento é tal que, não raro, deparamo-nos com títulos que parecem tão somente reproduzir a fórmula dos anteriores. Como uma novela de televisão, cujos conflitos e desenvolvimento das narrativas parecem ter sido produzidos por um computador, tamanha falta de criatividade. Poucos são aqueles que se destacam. Mas será que o novo filme de super-herói, vindo da Rússia, se enquadra nesse cenário?

Primeiramente, devo admitir que – mesmo não sendo fã absoluto de filmes desse estilo, apesar de gostar muito, muito de alguns – a iniciativa russa é deveras válida. Muito comum foram os vilões que Hollywood trouxe desse país, em oposição aos seus magnânimos heróis, especialmente para fazer dos gibis e do cinema uma arma ideológica. Nada mais justo do que eles criarem seus próprios seres com super-poderes, quase que como um direito de resposta. No entanto, não o fizeram (dessa vez) lutando contra os norte-americanos. A luta foi interna, mesmo.

Bane-Coisa-Magneto russo.

Em Os Guardiões, dirigido por Sarik Andreasyan, somos apresentados à história de Kuratov (Stanislav Shirin), um cientista que, durante a Guerra Fria, realizara experimentos para conseguir super-soldados ou algo que o valha. Sua obsessão pelo sucesso que não chegava o fez enveredar por uma insanidade incontrolável e, em um episódio, com a explosão do laboratório, o pesquisador ficou exposto aos elementos mais variados de seus ensaios. O resultado foi ele se tornar um tanto quanto poderoso. Já leu ou viu algo muito parecido, né? Não para por aí. Seu poder é muito semelhante ao do Magneto e seu visual um misto de Bane com o Coisa, aquele homem de pedra do Quarteto Fantástico (não será a única vez que citarei esse filme). Após um ataque à base militar russa, os comandantes iniciam uma operação secreta para conter o fanfarrão grosseiro. Tentam reunir quatro desses que também tinham super-poderes, mas que não foram consumidos pela velha máxima do amigo do ratinho Pink: “conquistar o mundo”. Escondidos por anos, esses membros das múltiplas Repúblicas Soviéticas ressurgem para salvar a Rússia.

Arsus (Anton Pampushnyy) se transforma em urso, Khan (Sanjar Madi) é uma espécie de Noturno dos X-Men com espadas, Ler (Sebastien Sisak) é um elemental das pedras e, finalmente, Kseniya (Alina Lanina) é a mulher invisível. Juntos ele investem contra o poderoso Kuratov que, facilmente, aprisiona três e aleija um. Os militares russos terão que resgatá-los e pensar em uma nova forma de atingir o ex-cientista ganancioso. Então, preparam-se para um segunda e definitiva batalha.

Aparentemente, pelo descrito no presente review, o filme não traz uma vírgula de novidade ou qualquer elemento que o diferencie de todo o resto que já vimos, certo? Pois é. Não só aparentemente, mas é isso que ocorre, de fato.

Os atores Sebastien Sisak, Anton Pampushnyy, Alina Lanina e Sanjar Madi, em O Quarteto Soviético.

Não há qualquer aprofundamento dos personagens; não sabemos quase nada sobre eles, seus conflitos de vida ou suas motivações pessoais. Tudo ali – tudo mesmo, dos mocinhos aos vilões, passando pelos coadjuvantes – é tão raso que incomoda. Não, amigo; não estou buscando profundidade anormal em um filme de super heróis, mas a ausência completa de qualquer detalhe a mais tampouco é aceitável. Não criamos empatia com os protagonistas, não criamos relações com a história. Dá a impressão de ser tudo muito indiferente. E, ao pensar sobre a obra, em tom de lembrança, parece-me que ela pode ser resumida com “quatro super heróis brigam duas vezes com o vilão”. Não me lembro de qualquer outro detalhe além disso. É formulaico ao extremo e sem grandes clímax (tal qual o mais recente “Quarteto Fantástico“). Uma pena que o quarteto russo (ou soviético) tenha ruído tão brevemente quanto sua antiga União.

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