E mais uma vez começa a festa mais glamorosa – mas não a mais importante – do Cinema. A festa da indústria, mais do que da Arte, na qual os premiados tendem a ser aqueles cujos lobbys foram mais importantes do que qualquer mérito artístico.

De uns tempos para cá, os Oscars têm sido a ilustração da falta de criatividade que enfrenta a indústria norte-americana. De épocas nas quais era extremamente difícil selecionar um preferido, dentre os cinco que eram indicados a melhor filme, passando por anos em que obras-primas da cinematografia mundial haviam sido lançadas e disputavam o careca (como, por exemplo, “Birdman“, “Whiplash” e “Boyhood“; ou “A Grande Beleza” e “A Caça“, no que tange os estrangeiros), nos anos mais recentes a Academia tem sofrido a consequência deste hiato criativo.

Ainda que o número de indicados a melhor filme tenha aumentado para 10 possíveis (mas quase nunca chegando a preencher todas as vagas), os títulos que surgem na briga pela estatueta dourada de melhor filme, tão visada pelos mestres do ofício, são pouco inspirados. Assim também tem sido a tendência nas atuações masculinas, nas quais um ou dois tem grande destaque; ficando com as mulheres os grandes índices de excelência, em uma enorme dificuldade de se adivinhar quem será a vencedora.

O 91º Oscar traz, no tocante a melhor filme, uma – e uma tão somente – grande obra para resistir ao tempo. Trata-se de “Roma“, do fabuloso Alfonso Cuarón e vencedor do nosso Top 10 – Filmes de 2018, seguido de longe – bem de longe – de uma produção íntima de Spike Lee, restando aos demais uma falta de entendimento por parte do espectador no que se refere a indicação como destaque do ano. A falta de disputas tão acirradas, como em outras épocas, traduz o afogamento que sofre o Cinema, restando ao bebê Netflix o posto de grande salvador da premiação, com a obra mexicana.

A seguir vamos apresentar as duas votações que fizemos: o nosso bolão interno de quem achamos que a Academia vai premiar enquanto o ser previsível que ela é e a votação de quem achamos que merece ganhar, esta última acompanhada de um textinho. Aproveitem!

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