Melhor Montagem – Ford vs Ferrari, por Andrew Buckland, Michael McCusker e Dirk Westervelt. Texto por Ryan Fields.

Edição é uma arte um tanto subestimada dentro dos prêmios técnicos. Quando bem feita, ela pode nos ludibriar de tal forma que nos deixamos enganar ao ponto de achar que uma narrativa é linear, quando ela não é. Ela joga com nosso desejo de enxergar o que queremos e, em alguns casos, elas intensificam experiências de cenas que já são de grande intensidade, como é o caso em Ford vs Ferrari. O automobilismo é um esporte que joga com a velocidade e momentos de grande perigo e a montagem do longa contou com um esmero técnico tão azeitado que cada corte, alternando cenas de dentro e fora do carro, cenas do boxes e de intrigas políticas durante as corridas que manteve esse longa de 2h30min bem firme e tão rápido quanto os carros do título em questão.


Melhor Cinematografia – 1917, por Roger Deakins. Texto de Vlamir Marques.

Vivemos uma época em que o cinema alcança uma precisão técnica e tecnológica jamais vista e poucos filmes parecem entender as características dessa nova mídia e utilizá-las com a elegância encontrada em 1917. Tendo sido concebido para dar a impressão de se tratar de um longo plano-sequência, teria sido virtualmente impossível realizar o filme com a tecnologia tradicional analógica. Uma película simplesmente não seria capaz de responder às gigantescas variações de luz e sombra apresentadas no longa e é justamente este elemento que mais impressiona na cinematografia que Roger Deakins executou para o filme. Com uma câmera apenas e com pouquíssimos cortes visíveis, acompanhamos a jornada dos cabos Blake e Schofield por campos verdejantes sob céu azul, por casamatas escuras e poeirentas, pelas desumanas trincheiras habitadas por corpos dilacerados, enfrentando explosões, desabamentos, quedas d’água, perseguições nas quais a simples movimentação da câmera ao redor de um personagem, ou a escolha de o que mostrar e o que ocultar consegue criar momentos ao mesmo tempo angustiantes e belíssimos. O ponto alto do filme, para mim – fotógrafo que sou – é uma assustadora e surrealista noite onde a luz de sinalizadores projeta as sombras dançantes das ruínas de uma cidade-fantasma sobre o terreno desolado enquanto o fogo consome o horizonte. Certamente uma das 5 cenas mais lindamente fotografadas que já tive o prazer de assistir, e no que me diz respeito, o filme já mereceria o Oscar por essa sequência apenas.

Sugestões para você: