“Beijinho no ombro, pro recalque passar longe.” Popozuda, Valeska.

Já comecei críticas com Camus, Sartre, Kierkegaard e até Beauvoir. Honestamente nunca me imaginei citando Valeska Popozuda. É incontestável que a funkeira alcançou brilho, projeção e o status de filósofa pós moderna por sua música e pelo videoclipe de Beijinho no Ombro. Com uma letra bizarra, uma produção audiovisual de figurinos excêntricos e até tigres, Valeska ganhou protagonismo em todo território nacional. Não porque a cantora estava passando uma mensagem pertinente ou tinha um ritmo avassalador, mas sim pela galhofa que era escutar “late mais alto que daqui e não te escuto” e outras pérolas. Pensava eu que ninguém fosse capaz de levar o discurso anti recalque a sério.

Assim como não me imaginava citando a obra “Beijinho no ombro”, jamais imaginei-me assistindo uma película como Paixão Obsessiva. Do cartaz ao trailer estava óbvio que o que me esperava era um desastre na forma de filme. Eu insisti e ainda arrastei meu camarada Kid Bicalhus comigo.

Desculpa, Kid!

Resultado: revolta total. Minha, de meu camarada e até das senhorinhas assistindo a vazia sessão de 16:00. Descrever Paixão Obsessiva é uma das tarefas mais árduas que já tive. Misture a metafísica anti recalque de Valeska com uma novela mexicana, Eu, Robô e, por fim, adicione várias pitadas de merda técnica estilo série do GNT. Falta de fotografia, péssima trilha sonora e ousadias que só são vanguarda na mente da obsoleta diretora Denise Di Novi.

A trama pífia e patética gira em torno de uma bem-sucedida editora (Rosario Dawson) assolada por fantasmas de assédio que se casa com um bonitão paspalho (Geoff Stults). Porém, ela terá que lidar com uma ex mulher (Katherine Heigl) que  tem menos carisma que um dos robôs de Asimov e cheia do já tão citado recalque. Passando por momentos de dar inveja nas promíscuas indústrias de telenovelas latino americanas e alçando a internet a patamares onde qualquer celular pode ser hackeado em instantes e facebooks falsos são de uma veracidade tacanha, Paixão Obsessiva faria meu mentor Ryan Fields ter um infarto com ausência de qualquer cena crível.

Uma galhofa atrás da outra

Isso porque ainda não falei dos diálogos, escritos todos no melhor estilo George Lucas, com os personagens expondo o que estão pensando o tempo todo por meio de falas embaraçosas e de dar vergonha alheia. As atuações são desastrosas, a película se assemelha a uma trash peça de teatro infantil onde tudo é plano, inclusive o cenário.

Caro leitor, se por acaso te passar pela cabeça ir assistir a esse excremento em forma de filme, prefira ouvir 90x a música de Valeska. Galhofa por galhofa, melhor a que se assume do que a que se esconde em artifícios vagabundos que não comovem nem as tiazinhas do pavê.

 

Sugestões para você: