Antes mesmo de eu ter contato com minhas paixões (música, games e cinema) eu sentia que algo dentro de mim havia acordado. Os responsáveis por isso…

Eles, junto com Comando Estelar Flashman e Jaspion (séries tokusatsu), me introduziram ao fantasioso e incrível mundo cinematográfico oriental, em especial o japonês. Nunca esquecerei o Poderoso Satan Goss que aparecia no Jaspion nos momentos mais tensos (Satan! Porra… isso causa impacto em alguém que tem menos de 7 anos). Mais marcante que o satanás oriental, eram mesmo os grupos coloridos, super estereotipados, que se contorciam excessivamente para falar um “ok” quando transformados, faziam poses escandalosas para se apresentarem, davam nomes a todos os seus golpes especiais e usavam robôs gigantescos. Tudo isso para combater inimigos de outra dimensão.

Power Rangers 1a geração, posição Simetria.

O mais divertido eram os estereótipos de cada personagem que, invariavelmente, seguiam uma cor base. A amarela/branca, que era sempre para as meninas um tanto deslocadas, rosa para as patricinhas, azul para o nerd, preto/verde para o outcast/pária e vermelho para o líder. Fico me indagando se isso influenciou minhas cores favoritas, coincidentemente preto e verde.

Quase uma década depois chegam os Power Rangers e a Alameda dos Anjos. Em 1º lugar, fodam-se os Power Rangers. Eles não chegam aos pés do Esquadrão Relâmpago Changeman e são uma cópia genérica dos clássicos japoneses. Em 2º lugar, eu via essa merda. No início da década de 90 ainda existiam bons tokusatsu como Cybercop – os Policiais do Futuro, Kamen Rider Black RX, Patrine (reconheço… eu assistia), Ninja Jiraya (meu favorito), Jiban e Esquadrão Especial Winspector, mas quando os animes (yeaahhhh!) chegam ao Brasil, em especial os Cavaleiros do Zodíaco, essas séries tiveram dificuldades em continuar relevantes. Só na 2ª metade dessa década que os Power Rangers passam a “reinar” sozinhos dentro do gênero, mas com uma roupagem americanizada, e, como eu não tinha outra opção de séries tokusatsu (até porque não existia internet), acabava vendo. Vale ressaltar que assisti apenas a 1ª temporada e não todas as variações dos ninjas caralho a quatro.

Cybercops! Sempre quis uma máscara do verdinho… aluninhos, vamos trabalhar nessa ideia.

E o filme? Caso você já tenha assistido a um episódio da série, não irá sair decepcionado. É um belo episódio de quase 2h. Caso você não tenha assistido, você sairá meio frustrado pois é um filme de 2h. O longa segue o roteiro básico do gênero: primeiro aparece o vilão, depois adolescentes (no caso adultos que se passam por adolescentes) com origens diversas são apresentados (alguns deles buscando redenção e outros superação), são treinados, enfrentam o vilão (Elizabeth Banks) e salvam o dia. Go, Go, Power Rangers! (quando tocou essa musiquinha eu dei um sorrisinho).

Embora seja um filme muito genérico, ele apresenta bons momentos e boas adaptações para questões dos anos 2010. Começando pela cena de abertura que se passa na era dos dinossauros e com Bryan Cranston, que te dá a esperança que o filme pode realmente ser bom, com belos efeitos visuais e um tom meio tenebroso. Parece que 50% do orçamento do filme foi gasto nesses 5 minutos, depois desse momento os efeitos parecem realmente de uma série mediana da década de 90. Os outros 50% foram gastos nas explosões e. meu amigo, Michael Bay ficaria com inveja de tanta coisa que explode, como se tudo que é sólido fosse feito de C4 e líquido de nitroglicerina.

Agora cromados!

A escolha dos estereótipos que iriam compor o time dos Rangers foi muito bem pensada, embora tenham perdido algumas boas oportunidades. Ainda temos o líder Vermelho (Dacre Montgomery), mas dessa vez em busca de redenção, o que geralmente não ocorre já que os vermelhos são líderes infalíveis. O Ranger Azul (RJ Cyler) é um nerd totalmente excluído (geralmente são os da roupinha preta). O Preto (Ludi Lin) é um personagem emocionalmente desconectado do mundo, mas por um drama familiar. A Rosa (Naomi Scott) ainda é a patricinha, que dessa vez se revela filha da puta por cyberbullying. E, por fim, a Ranger Amarela (Becky G.) é homossexual e tem problemas com a aceitação da família. Uma pena o Ranger Vermelho não ser uma mulher e o Rosa um homem, seria interessante. Aliás, toparia feliz qualquer cor para as meninas sem ser o Rosa e o Amarelo, mas não foi desta vez. Vale ressaltar a variedade de etnia em Alameda dos Anjos… temos na composição do time um asiático, uma latina, um negro e dois caucasianos. Pra que botar um nativo indígena, né?

Bem… no geral você vai se divertir ao assistir ao filme, mas para padrões atuais não chega a ser um longa com potencial aproveitado.

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