E, finalmente, elas foram anunciadas! Saíram as indicações ao Oscar 2019 e, como sempre, surpresas, polêmicas, recalques, esnobadas e História foram despejadas nesse que, apesar de tomar porradas e brigar para manter a relevância de outrora, ainda é o mais reconhecido e badalado prêmio da indústria cinematográfica.

Neste ano, a Academia tinha uns desafios novos: representar em indicações o sangue novo de seus novos membros (gente que foge do padrão esmagador da maioria de seus associados: homens brancos ricos de mais de 50 anos), retomar os laços com os espectadores de cinema (a queda vertiginosa da venda de ingressos e a dicotomia “filme para bilheteria” X “filme para ganhar Oscar” fazendo os índices de audiência a premiação serem mais baixos a cada ano eram duas pedras no meio do caminho) e trazer audiência jovem para a festa.

Algumas decisões erradas foram tomadas nessa busca. Primeiro, pensaram em criar uma categoria nova para o que eles chamaram “filmes populares”. Deu ruim, a crítica caiu de pau e a Academia voltou atrás. Nesta semana ela foi acusada de estar assediando atores querendo impedi-los de apresentar-se em outras premiações, como o SAG, para guardar o impacto de suas presenças apenas para o Oscar (dizem que fizeram isso com o elenco de Os Vingadores).

Eu fui indicado??

Polêmicas à parte (ou não), as indicações 2019 refletem bem os novos tempos do Cinema e dessa entidade mítica que realizará sua 91ª entrega de estatuetas douradas. Vamos dar uma olhada em alguns desses fatos:

– Sem favorito a melhor filme

Completamente atípico, a pouco mais de um mês para a festa, nenhum dos oito indicados a melhor filme é considerado um favorito. A esta etapa da competição, o comum seria que, pelo menos dois deles, brigassem entre si. Não desta vez. Com 10 indicações, Roma e A Favorita (estreia dessa semana no país) poderiam reivindicar o título para si, mas cada premiação considerada termômetro do Oscar coroou um filme diferente. Os Globos foram de Bohemian Rhapsody em drama e Green Book: O Guia (também estreia dessa semana no país) em comédia. O Critic’s Choice foi de Roma. Já o Producers Guild escolheu Green Book: O Guia como filme do ano. No SAG Awards, que será realizado no próximo domingo, metade dos indicados ao Oscar de melhor filme não foi indicado ao prêmio máximo da noite, melhor elenco. Até agora, esta é a corrida pelo ouro mais indefinida dos últimos tempos.

A saber, os oitos filmes que a Academia indicou foram: Pantera Negra, Infiltrado na KlanBohemian Rhapsody, A Favorita, Green Book: O Guia, Roma, Nasce uma Estrela e Vice, com boa todos os já lançados no Brasil resenhados aqui no site e alguns deles constantes do nosso Top 10 – Melhores Filmes de 2018.

– Já estão com a mão no prêmio

Se para melhor filme ninguém sabe ainda o que vai dar, algumas categorias já estão sendo consideradas como fechadas na escolha do vencedor e, qualquer resultado diferente, vai ser considerado uma listradinha zebra. É o caso de ator e atriz coadjuvantes: Mahershala Ali (Green Book: O Guia) e Regina King (Se a Rua Beale Falasse) já podem começar a escrever seus discursos. Homem mais indicado do ano (filme, filme estrangeiro, diretor, fotografia), Alfonso Cuáron já tem, pelo menos, duas aparições garantidas: ele é o homem a ser derrotado por quem quer ser o diretor do ano e Roma provavelmente já é o dono da estatueta de filme estrangeiro.

Corre atrás, malandragem!

Esnobados e Supresas na próxima página

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