Fevereiro chegou e com ele chegam as três coisas que mexem com a cabeça e o coração desta criatura que agora vos escreve: a volta às aulas (cabeça sofrendo com trabalho, coração feliz com amigos e alunos-amigos), o carnaval (sofrência da cabeça diretamente relacionada ao álcool consumido e aos rombos na conta bancária e o coração acelerado no samba e na capacidade de se descobrir o amor da vida nos blocos para perder cinco minutos depois) e eles, os Academy Awards, nosso bom velhinho, os Oscars (cabeça sofrendo pela esnobada em Amy Adams, coração sorrindo cada vez que ouve o nome Meryl Streep), que acontecem daqui a exatamente uma semana. Como este é um site de cinema, vamos falar sobre o moço dourado.

As indicações deste ano não causaram grandes surpresas. Safra boa, mas não excepcional, de filmes, a 89ª cerimônia da Academia já se instala como aquela na qual questões políticas e sociais não passarão despercebidas. Em um ano com Donald Trump presidente, os votantes já sentem a pressão de saber que suas escolhas estão sendo vistas como declarações acerca de que lado eles estão: do lado que celebra a diversidade ou do lado que constrói muros. E algumas declarações foram feitas:

  • Depois do desconforto do #OscarsSoWhite do ano passado, a Academia respondeu com um número recorde de atores negros indicados. Das 20 vagas em atuação, 7 foram ocupadas por atores não brancos. Em 2016, nenhum ator não-branco foi indicado.
  • Dos nove indicados a melhor filme, 5 abordam frontalmente questões sociais delicadas : raciais (Fences, Estrelas além do tempo, Lion e Moonlight), gênero e orientação sexual (Moonlight e Estrelas além do tempo), guerra e pacifismo (Até o último homem), imigração e adoção (Lion).

Atores negros indicados em todas as categorias

Agora, que tal sobrevoarmos por alguns dos escolhidos e coletar curiosidades, esnobadas e números do Oscar 2017? Vamos lá, pipoca na mão e cintos apertados:

  • Com 14 indicações, La La Land é o favoritíssimo ao grande prêmio da noite. Muito difícil ele não levar… mas, tinha some politics no meio do caminho. Rumores foram ouvidos de que alguns votantes andam cogitando mudar o voto por acharem que escolher o musical seria eleger o escapismo em um ano em que ficar em cima do muro não é opção. Mas ele segue firme na liderança.
  • Aliás, La La Land provavelmente fará de Damien Chazelle o mais jovem diretor oscarizado. Ele terá 32 anos no dia. Por falar em direção, a indicação de Mel Gibson soou como o perdão a uma das personas mais non gratas em Hollywood nos últimos tempos. Sabe o tio sem noção que defende a ditadura e diz que o mundo está uma pouca vergonha e tinha que matar geral para resolver tudo? Multiplica por 5 e você terá Mr. Gibson. Tem até uns vídeos bem educativos dele no YouTube.
  • Entre as moças indicadas a melhor atriz principal (dedos cruzados para Emma Stone), não há como não falar do recorde batido pela, segundo Presidente Trump, “superestimada” Meryl Streep. Ela crava a sua 20ª indicação, disparando no 1º lugar entre atores. Mrs. Streep bate o recorde da própria Mrs. Streep. Meu sonho é vê-la ganhar um Oscar interpretando Meryl Streep num filme sobre a atriz que faz um filme sobre Meryl Streep. Ainda na categoria, coração partido pela esnobada dada em Amy Adams, com A Chegada. Ela perdeu a vaga para Ruth Negga, excelente em Loving.

Viola & Meryl

  • Já na categoria dos rapazes, uma polêmica. Casey Afleck era disparado o favorito à estatueta por sua performance impecável em Manchester à Beira-Mar. Porém, sete anos atrás ele foi acusado de assédio e abuso sexual por duas colegas do filme Eu Ainda Estou Aqui. Na internet uma campanha fortíssima ganha força contra o irmão do Ben. Nas categorias de atuação, os prêmios geralmente vão para quem preenche a “equação dos 3 amores”: os votantes escolhem por amor à estrela, amor ao filme e amor ao personagem. Parece que a 1ª variável não é preenchida pelo mocinho.
  • Dos 20 indicados em atuação, sete estão em suas primeiras indicações: Andrew Garfield, Mahershala Ali, Lucas Hedges, Dev Patel, Isabelle Huppert, Ruth Negga e Naomie Harris. Outros seis já possuem pelo menos um Oscar: Denzel Washington, Jeff Bridges, Natalie Portman, Meryl Streep, Nicole Kidman e Octavia Spencer.
  • Kubo e as cordas mágicas, além de indicado à animação, também foi escolhido em efeitos visuais. É a segunda vez que um filme totalmente animado entra na categoria. O primeiro foi O Estranho Mundo de Jack.
  • Indicado a melhor trilha sonora por Passageiros, Thomas Newman faz com que sua família bata o recorde de “família mais indicada da história”. Juntos, os seis músicos conseguiram 90(!) indicações para o clã. Caso não ganhe, Thomas também baterá um recorde triste: indicado 14 vezes, ele se tornará a mais indicada pessoa sem vitória em todas as categorias.
  • Se Lin-Manuel Miranda levar a estatueta de melhor canção por How Far I’ll Go, de Moana, ele entrará no seleto clubinho dos EGOTs, galerinha que ganhou os 4 principais prêmios da indústria do entretenimento (Emmy, Grammy, Oscar e Tony). Apenas 12 pessoas conseguiram.
  • O documentário O.J.: Made in America é o filme mais longo a ser indicado nos 89 anos da premiação. Quem for encarar a película vai deixar o derrière sentadinho por 7 horas e 47 minutos!

Bem, pessoal, e por aqui aterrissamos. Em 26 de fevereiro, em pleno domingo de carnaval, a sorte será selada com aquelas palavras que, invocando os sábios Sandy&Júnior, causam um “turuturuturu aqui dentro”: And the Oscar goes to… Vejo vocês fantasiados lá, mas, antes nós vamos apresentar aqui no site, a partir de sexta que vem, dia 24, os palpites do pessoal aqui do site.

Para ver todos os indicados no 89º Academy Awards, acesse http://oscar.go.com/nominees

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