Foi em um algum lugar no tempo, quando o MetaFictions era só um devaneio meu e do Pretão. Um site voltado para Cinema e gibis, com produção inferior a uma review por semana. Era um site de resistência, feito quando dava na telha, com um design amador e enjoativo. Chamávamos amigos para publicar textos quando quisessem. Numa dessas, Gad, o cuspidor, produziu acerca de A Caça.

Palavras lindamente esculpidas como um Michelangelo a encontrar David em meio a um bloco bruto de mármore. Introdução avassaladora, que, com termos pouco usuais – como de costume, para o viking advogado, encarnação de muitas nuances e contrastes – engolia o leitor durante seus parágrafos.

A beleza por trás daquele texto se intensificava à medida em que os olhos dançavam pela definição de ser humano do brocador sincero. Mas um espetáculo não pode se iniciar com seu maior e melhor número. Não. Isso deve ser guardado para a conclusão, para tirar o fôlego e atingir o interessado despreparado, tal qual o próprio filme fizera com quem o assistira.

E, seguindo com rigidez a proposta, o David (não de Michelangelo, mas de Nazareth) concluíra com uma das frases mais evocativas, sinceras e definidoras que eu já li.

Mais uma bela reunião da diretoria.

Mas eis que surgiu o novo MetaFictions. Mais profissional, mais bonito e mais sério. O mesmo fanfarrão louco de outrora, produtor do texto sobre o qual estou a discorrer, integrando a equipe na condição de sócio, ao lado de Pretão-Boquita e eu. Discussões, reaproximações, novas discussões e amizades para sempre inabaláveis, tal qual qualquer relação sólida que se pretenda. Bruce e ‘Arry, Mille e Ventor. Independente do tsunami, aqui somos Naomi Watts em O Impossível. Eis que o viado-macho-alfa reedita a crítica. Eis que ele faz merda.

Não só modifica a introdução arrebatadora, ainda que continue bela, como tem a pachorra de mexer na conclusão inimitável. Ao não fechar o texto como antes, mas colocá-lo como início de parágrafo mesclado com uma “humilde opinião” irônica, ele nos tira a força natural de sua assertiva: “Não há na natureza força maior do que a de uma mulher melindrada e rejeitada”. Mas há, Gustavo. A minha agora!

Nada de pré-lista!

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