Bem-vindos ao nosso quadro Reboot do Prequel do Remake (ou Remake do Prequel do Reboot, tanto faz), RPR para os mais íntimos. Aqui no RPR iremos comparar os filmes em suas versões originais ou que fizeram mais sucesso com os seus remakes, reboots, prequels, remakes dos reboots, prequels do remake ou reboots do prequel. Enfim, vamos usar o evidente excesso de ganância e falta de criatividade que vem assolando Hollywood para fazer uma análise de qual das versões é a melhor mesmo e foda-se.

Prevalecerá o mito que o original é sempre melhor? Veremos…

Inaugurando o quadro,  temos o Enigma de Outro Mundo e as suas versões de 1982, com Nostalgia no site, e a de 2011, que infelizmente passou despercebida do grande público. Portanto, como já temos a análise do original, partirei para a comparação baseada no remake.

O longa de 2011 começa de uma forma bem interessante, mas menos intensa que o de 82. Vemos uma equipe de pesquisa norueguesa buscando por algo que está emitindo um sinal. Sempre me perguntei quem eram esses noruegueses que aparecem no filme original. Apenas em pontos específicos os vemos, geralmente fazendo algo sem sentido, mortos ou em fitas VHS. Assim como no original, estamos em 1982, deixando claro que não é aquele tipo de remake que tenta te trazer para os dias atuais.

Até aí achei que era apenas uma melhor contextualização de como a nave foi achada, mas, para a minha felicidade, não era o caso. De fato, os noruegueses aqui ficarão durante todo o longa e na sua própria estação, mudando totalmente o tom do filme. Enquanto no original os americanos ficam expostos ao perigo sem ter culpa, sem saber por boa parte do filme de onde veio esse perigo e na sua própria estação, nesse ficamos sabendo logo de cara qual é o perigo e de onde ele veio.

Wow! Que spoiler!

E os americanos? Pois bem, meus queridos, não demora muito para conhecermos Kate Lloyd, interpretada pela belíssima e competente atriz Mary Elizabeth Winstead (infelizmente sem muitos papéis de destaque no cinema, embora tenha sido protagonista em um dos meus filmes favoritos ano passado, Rua Cloverfield, 10). Ela é uma paleontóloga especializada, aparentemente, em animais extintos da última era glacial, já que o motivo para ser chamada é a sua capacidade de remover animais preservados em gelo. Ela é convidada por um doutor fodão pra caralho, Dr. Sander Halvorson (Ulrich Thomsen), que comanda a estação de pesquisa norueguesa e é o personagem babaca do filme que vai gerar as cagadas. Ao que parece, a Noruega, esse belo país tropical, não tem engenheiros acostumados a trabalhar com gelo. Uma coisa que não me agradou muito, talvez por eu ser detalhista demais e um realista seletivo, foi a profissão dela. Engenharia ou biologia deveria ser a área de atuação para fazer sentido o convite, embora você possa ser biólogo (ou geólogo) especializado em paleontologia.

Outros americanos aparecem, são eles os pilotos do helicóptero que leva essa gabaritada equipe para investigar o OVNI. Logo percebemos que o nosso “Kurt Russel” aqui está separado em dois personagens, o piloto Carter (Joel Edgerton) e a nossa paleontóloga. Claro que são os americanos que salvam o dia das cagadas que os noruegueses farão.

Iu é sei! Iu é sei! Iu é sei!

Ao chegarem ao local onde está a nave temos um mar de nostalgia. É dito que o OVNI está ali há 100 mil anos, que nem no original, vemos um cachorro da mesma raça do 1º longa e um corpo alien que é achado e levado para a estação, no original é um corpo disforme, mas a ideia permanece.

Enquanto isso ocorria eu fiquei imaginando quão legal seria se em vez de refilmar esse clássico, que causa certo desprezo pelo ato em si, tivessem feito um origens/prequel. Atrairia muito mais o público fã do 1º filme. Ver o que aconteceu com aqueles noruegueses da fita VHS e como tudo se deu teria sido fantástico.

Bom, daí para frente o RPR de hoje segue a mesma lógica do primeiro longa, com algumas pequenas diferenças. Permanece o histórico de má decisões: levar o corpo do alien para a estação sem avisar as autoridades, armazenar esse corpo em condições não adequadas em um galpãozinho, retirar uma amostra de tecido do alien com uma broca de furadeira e sem nem usarem máscara de proteção e depois ficarem todos muito loucos de álcool comemorando o achado que nem a trupe de Beowulf.

Seguindo todos os protocolos de como fazer uma bela de uma cagada.

Talvez o que mais perdeu impacto tenha sido que, ao invés de vermos o alien pela primeira vez saindo do cachorro numa cena que me marcou para a vida, vemos o alien quebrando o bloco de gelo e fugindo para pegar alguém na encolha mais tarde. No original você tem um choque duplo, é um ser abominável e ninguém esperava por isso. Bem… o ser fujão é incendiado e vai para a autópsia junto com sua vítima.

Uma outra mudança, que me deixa conflituoso, é na tática de como identificar quem é alien ou não. Enquanto no de 82 é através do sangue de cada um reagindo a um fio de cobre superaquecido, no remake é através de obturações dentárias. Faz muito sentido identificar um ser que faz cópias orgânicas perfeitas por objetos inorgânicos que a cópia não consegue replicar. No entanto, isso tirou do filme uma cena clássica, em que todos estão amarrados tendo seu sangue testado, e substitui por uma cena de menor tensão onde as bocas eram checadas.

O alien agora ataca sob pressão/estresse, sem motivo e, eventualmente, para se copiar. Já no original isso ocorria quando o ser percebia que tinha sido descoberto ou para se replicar. Essa mudança levou a mais cenas de ação e menor suspense, mas fez com que a paranoia entre os sobreviventes ficasse acirrada e dividida por nacionalidade, EUA X Noruega. Uma das cenas, das duas novas nesse remake que foram espetaculares, foi um norueguês (único na estação que não falava inglês) apontando um lança-chamas para seus compatriotas suspeitos que o coagiam em seu idioma nativo a considerar que “Os inimigos são os americanos!”. Foda.

Nada como atacar alguém discretamente no único corredor da estação.

A outra cena sensacional desse longa, que brincou com o nosso medo primitivo de algo que sabemos que não podemos vencer e nem fugir, foi a de Carter se escondendo no escuro em um canto enquanto a “coisa” o procurava na dispensa. Sua permanência naquela posição, travado, por medo ou a esperança que estivesse muito escuro para ser visto me deixou sentindo aquele medo que se tem quando criança de que algo está no seu quarto à noite. Mas, diretamente proporcional à surpresa de ver essa cena, foi a decepção em não ver nada que remetesse a cena do desfibrilador.

DESFIBRILADOR, caralho! Vale mencionar que o alien que o ataca lembra muito o corpo que os americanos descobrem e levam para a própria estação no 1o filme. Bela homenagem (ou assim eu achava).

O final do filme vem com uma surpresa muito legal para os fãs. O alien tenta voltar para a nave! Muito legal mesmo ter esse vislumbre de uma nave de outro planeta que no filme de 82 fica jogada de lado. No entanto nem tudo é festa e o finalzinho dá uma desandada. O alien é pego na sua tentativa de mentir para a paleontóloga, ao falar que poderiam buscar refúgio na estação russa. HAHAHAHAHA. Russia soviética? Em 1982? Tá na cara que é um alien essa porra. Fogo nele. Bem, não é por isso que o alien é descoberto, mas ele levantou essa bola e não foi questionado.

Enquanto subiam os créditos e eu mexia no celular, diferente das duas vezes que vi o remake quando rumei imediatamente para a saída do cinema ou apertei o stop, começou a passar cenas pós créditos. Fiquei surpreso e assisti avidamente. Ao terminarem as cenas (vejam vocês mesmos) eu não pude acreditar. Não estava vendo um remake e sim um prequel/origens. Primeiramente fiquei feliz e muita coisa fez sentido, depois uma fúria tomou conta do meu ser. Porra! O nome do filme é exatamente igual ao de 82, foi vendido como remake e em nenhum momento fazem menção no filme ou dão a entender que é um prequel.

Vão se fuder! Tentaram me enganar deliberadamente!

Esses produtores hollywoodianos.

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