Bem-vindos ao mais trabalhoso quadro do MetaFictions, o RPR. Como já falado lá na 1ª vez que o quadro foi ao ar, aqui nós comparamos as obras originais ou aquelas que fizeram mais sucesso com seus reboots, prequelsremakes, daí o RPR (ou seriam  remakes, prequelsreboots?).

Hoje temos uma franquia que traumatizou uma geração inteira nos anos 80, com 3 longas, e que ganhou um reboot em 2015. Para efeitos comparativos, só irei utilizar o 1º filme dos anos 80, mas vale mencionar que o “Poltergeist II: O Outro Lado” é o meu favorito e que fatalmente será alvo de um quadro próprio em algum momento.

Poxa… sério?

Este RPR estava engatilhado desde a semana de Halloween, mas foi adiado devido a outro belíssimo RPR que merecia maior destaque por conta do seu remake estar em grande evidência a época. Estamos falando de “It”, que recebeu diversas homenagens no site (Crítica de 2017, Nostalgia de 1990, RPR dos dois e Top 10 filmes de terror).

Embora goste muito do “It”, Penny Wise não é nenhum Bozo perto do palhaço de brinquedo do filme que assombra meus sonhos desde meados da década de 80. Somado às outras diversas cenas clássicas, o longa ainda detém um mistério à sua volta que me deixa até um tanto nervoso em rever a franquia: a maldição do Poltergeist.

Mesmo de dia, não sei o que é mais assustador. As cadeiras ou a Carol Anne.

Diversos membros da equipe e elenco vieram a óbito. Eu não estou falando aqui do camarada morrer 3 décadas depois, aos 70 anos, de ataque cardíaco. Falo de mortes por acidente, doenças raras e assassinato durante a produção da franquia nos anos 80. Talvez os exemplos mais tenebrosos sejam da atriz Heather O’Rourke (Carol Anne Freeling), que faleceu aos 12 anos logo após filmar o 3º filme devido a uma obstrução intestinal e Dominique Dunne (Dana Freeling) que foi assassinada por seu namorado assim que o 1º filme chegou aos cinemas.

Alguns especulam – e é só o que podem fazer – que isso se deve a uma “sábia” decisão de alguém da produção. A fim de poupar custos alguém se perguntou:  “Sabe o que seria mais barato do que usar ossos cenográficos? Usar ossos de verdade.” Aí nasceu o mistério que cerca a franquia… será que os mortos estão de fato putos com a remoção de seus restos mortais, transformando o filme quase numa alegoria sobre ele mesmo? Bem, até agora ninguém do reboot morreu e foram usados ossos cenográficos…

Muita coragem desses pais, hein?

Vamos ao que interessa. Os dois longas se apoiam na mesma premissa. Um cemitério é “movido” de um lugar para outro. Na verdade, só as lápides são, os corpos ficaram e acima deles é construído um conjunto habitacional onde a família Freeling vai morar. Na versão de 1982 o pai da família, Steve (Craig T. Nelson), é funcionário da construtora, enquanto no de 2015 o pai da família – agora chamada Bowen – Eric (Sam Rockwell), está desempregado. Só essa mudança já causa um impacto na dinâmica familiar.

Ambos os filmes seguem a mesma espinha dorsal: Acontecimentos estranhos, filha caçula é raptada para outro plano existencial e depois temos o resgate com a ajuda da “ciência” e um especialista. No entanto, temos GRANDES diferenças na forma como essa história é contada.

A TV continua aí.

Começando pela mudança no nome e visual da mais querida personagem da franquia, a filha caçula da família, Carol Anne, que em 1982 era a criança loirinha mais fofa da Terra. Em 2015 passa a ser a morena Madison Bowen (Kennedi Clements). Carol sempre foi o rosto de Poltergeist e com essa mudança a franquia já perde muito do seu apelo, mas pelo menos Kennedi entrega uma atuação tão boa quanto.

Aliás, todo o elenco da versão 1982 é mais icônico do que o de 2015, talvez com a exceção do pai, interpretado pelo subestimado Sam Rockwell. Infelizmente ele tem a tradição em cair em filmes mal dirigidos e dessa vez não foi diferente. Fica muito difícil vender a imagem de um pai preocupado quando a atmosfera do filme não convence.

“Sua filha foi raptada por espíritos.”

A dinâmica familiar em 2015 é muito mais dramática, com a família passando por sérias dificuldades financeiras, enquanto em 1982 temos uma família com pais maconheiros, divertidos e ainda contamos com um cachorro. Aí fica foda, né?

Além do elenco/personagens, a grande diferença talvez seja no tom do filme. Na versão de 2015 temos a história essencialmente se passando de dia, com uma fotografia colorida com cores fortes. Em 1982 temos o oposto, tons mais escuros, menor variedade de cores e história praticamente noturna. Qual será que te coloca mais no clima?

Espíritos não trabalham de dia. O sindicato proíbe, exceto em cozinhas.

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