O ano era 2013 e eu tinha adquirido, praticamente naquele instante, o material básico de audiovisual para fazer meus filmes. Não tinha pleno domínio da técnica e comecei a estudar durante poucas semanas. Havia escrito um roteiro, há algum tempo, que eu considerava ser o mais simples de se filmar. Trazia apenas um ator e, basicamente, uma locação (a casa da minha mãe). Talvez, eu estivesse muito enganado quanto ao nível de dificuldade de se produzir este curta. Além do mais, minha equipe contava comigo, minha mulher (na posição de produtora que cobra que tudo seja feito o quanto antes; ainda bem!), três ou quatro amigos, e meu irmão como ator (este que sequer havia atuado; nem como uma árvore em um Romeu & Julieta da escola). Ainda assim, decidi fazê-lo.

Alguns sábados foram ofertados por todos, que deixavam de lado suas diversões para varar a madrugada ajudando o amigo em seu devaneio pessoal. E eles fizeram isso com tamanho apego e desejo, mesmo sem, a priori, terem qualquer intenção em trabalhar com Cinema, que eu só conseguia perguntar “um dia, vocês me contam porque estão se sacrificando assim pelo filme?”. Rodrigo, sempre espirituoso, respondeu “já te falei, pelas mulheres e pelo dinheiro”. Na cena mais importante do filme, eu contava com apenas dois na equipe. Um deles, Gustavo, que deixara de lado seu tão querido UFC: “eu sei que fazer o curta é tão mais importante pra você do que o UFC é pra mim”, respondeu-me ele, quando pensei em adiar as filmagens do dia. Meu eterno agradecimento a cada um.

Eu queria provar para mim que conseguia fazer um filme. Se seria bom ou não, só o resultado responderia. Mas eu precisava concluí-lo. Era meu primeiro curta e já tinha me frustrado com outras tentativas. Sussurros (a.k.a. Whispers) ressurgia como aquele projeto que quebraria a “maldição” que eu tinha, semelhante a do Terry Gilliam, em alguns momentos. Eu costumo dizer que quando falamos “e… ação”, em um set, o demônio entende como sinal para se abrirem os portões do inferno. Tudo o que não tem como dar errado em uma filmagem, dará! Desde ninguém poder filmar até uma lâmpada e seu circuito explodirem no exato momento do take (o que nunca havia acontecido e jamais voltou a acontecer). Mesmo assim, conseguimos! Outras coisas deram bem certo, como um americano da Califórnia, Dylan Stipek, com quem por acaso esbarrei no YouTube, ter me autorizado utilizar suas músicas próprias como trilha sonora (o que sustenta metade da obra). Thanks, mate! Cheers!

Era meu primeiro filme e eu fiquei deslumbrado. Falhei. É longo, demorado, contemplativo. Mas é meu estilo (amo assistir filmes assim e fazê-los também). Se seria bom ou não, o resultado responderia – falei logo ali acima. E isso eu vou deixar a cargo de vocês. De todo modo, eu gosto bastante dele; é meu xodó. O que não significa que ele seja, de fato, bom, apesar de eu achar que é e ser acompanhado nisso por uma amiga minha, Nathalia, que ja o assistiu inúmeras vezes.

Na próxima quarta-feira, dia 15, lançaremos o trailer. Até lá!

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