Dá-me uma profunda agonia escrever o óbvio. Já pelo título fica claro que, Tal Mãe, Tal Filha está sujeito a uma comédia mela cueca, oscilando entre lágrimas de crocodilo e gargalhadas de porcos na lama.

Nisso você, hábil, sagaz e brilhante leitor do Metafictions, vai se perguntar, se contorcer com pergunta sobre o porquê de eu ter me levantado nessa quinta- feira, abdicando do conforto do lar e das películas do mestre Béla Tarr, para ver tal obra. A resposta é simples e com uma sonoridade profundamente francesa: Juliette Binoche.

Desde que assisti “A Liberdade é Azul” a atriz me proporciona fascinação e admiração. Com ela nos créditos, regozijei. Nada com uma atriz de tamanho calibre, capaz de trabalhar com Abbas Kiarostami, poderia ser insuportavelmente ruim. De fato, o filme nem é esse desastre. Tem alívios cômicos dignos do sexto ano do fundamental, clichês de séries da Warner e personagens tão planos quanto meu tédio ao longo da sessão. Todavia é o entretenimento fumaça, pode até divertir, mas some logo depois

O alívio ao sair da sessão.

Pela simples e ignóbil necessidade de encher linguiça, relatar-vos-ei um resumo da narrativa e deixo o resto a cargo de seu particular bom senso.

Julliete interpreta uma mãe marginal, incapaz de lidar com as mazelas da velhice, dessa maneira se atirando numa miragem de juventude, ilustrada por jaquetas de couro e uma rotina bon vivant. E tudo estaria muito bem, se não vivesse de favor com sua filha (Camille Cottin), menina singela e reprimida, ansiosa perfumista, casada com o natural acadêmico insuportável. Esse festim de estereótipos só aumenta quando a filha engravida, já que a mãe se vê excluída e engravida também. Dessa maneira, uma confusão muito louca em família toma a tela de assalto, criando uma série de complicações tão fúteis quanto chatas. Piadas ali, piadas pra lá, tentativa de melodrama e tchau!

Julliete você não precisa provar nada a ninguém!

Não sei se Julliete participou como forma de mostrar versatilidade, ou por uma profunda crise na meia idade, todavia rogo a ti para não chafurdar nessa aventura para toda e qualquer família oca , a não ser caso queira muito, mais muito mesmo perder preciosos e sagrados segundos que poderiam ser investidos em Béla Tarr.

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