“Qual papel você acha que os Beatles terão na história da cultura?

Você deve tá de brincadeira fazendo essa pergunta. Cultura… isso não é cultura. Isso é uma boa risada!”

A resposta vinda de Paul McCartney ainda no início da carreira dos Beatles sumariza a leveza que os meninos de Liverpool almejavam: era uma diversão entre amigos. Em muito a qualidade musical dos Beatles foi questionada por tratar-se, até certo ponto, de canções adolescentes onde a temática era vaga e constante – “ela te ama, eu a amo, ela é a garota certa e como seremos felizes juntos!”. O próprio John Lennon o diz. O documentário “The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years” vem para explorar o cenário que originava essas produções, reflexo de grandes amigos de 19 anos que resolveram fazer música e escolhem falar do que lhes é rotina como jovens dos anos 60.

Através de uma minuciosa análise da carreira dos Beatles, álbum por álbum até o fim da década de 60, a produção analisa seus conteúdos e traz a intimidade dos ainda meninos de Liverpool para as telas. Vemos o quão natural era a composição para eles e que nelas era presente a bonita sintonia entre McCartney e Lennon, dupla responsável pela maior parte das letras da banda durante sua carreira. E, mais tarde, George Harrison também mostra seu talento e presenteia a banda com letras primorosas como “While My Guitar Gently Weeps” e “Something”.

Inicialmente superficial, sim, mas nunca falso, o reportório beatle era ingênuo e infantil; acompanhamos, através da maturação pessoal e, consequentemente, artística, o quanto este repertório mudou com o passar do tempo. Os Beatles, antes uma banda pop-rock feita em muito para vender, apesar da coisa crua como essência, transcendem para o rock mais maduro e ousado – técnicas de looping, colagens sonoras, psicodelia arriscada para uma banda por muito conhecida pelo “yeah yeah yeah”, entre outras evoluções.

O documentário não acompanha a carreira da banda até seu fim – o que consolida a ode à grandiosidade musical do quarteto. Ainda que Paul diga que com o tempo a insegurança crescera, apesar da idade, os Beatles em muito arriscaram e inovaram. E hoje são considerados, indiscutivelmente, peça chave no cenário musical do século XX. Os Beatles, assim como toda boa arte, permanecem atemporais.

 

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